Uma mãe iraniana que perdeu a filha durante protestos contra o regime no Irã afirmou ter encontrado paz após entregar sua vida a Jesus. Em entrevista recente, ela contou como a fé tem sustentado sua vida após a tragédia.
Em janeiro, Sameera e sua filha de 16 anos participaram das manifestações contra o regime em Karaj. Na ocasião, forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes, e a jovem Sevda foi atingida e morreu no local.
"O dia 19 de janeiro foi verdadeiramente terrível, quando o governo da República Islâmica deu ordens para atirar nos manifestantes. Mesmo assim, muita gente foi às ruas", disse ela à CBN News.
Sameera contou que, mesmo cientes dos riscos, decidiu participar do protesto com a filha: "Saímos naquela noite, deixando nossos celulares em casa, sabendo que poderíamos enfrentar a morte ou ser presas".
Segundo ela, a adolescente demonstrou coragem até os últimos momentos: "Ela foi incrivelmente corajosa. Falou com total bravura até seu último suspiro. Lutou. Cantou. Gritou”.
Pouco depois, Sevda foi baleada no peito: “Atiraram nela no coração. A bala a atingiu e ela morreu instantaneamente".
‘Sinto paz por causa de Cristo’
Por anos, a família esteve envolvida em protestos contra o regime iraniano. Semanas após a tragédia, Sameera deixou o país e passou a viver no norte do Iraque. Em meio à dor, ela testemunhou que teve um encontro com Jesus.
"Eu não era uma muçulmana muito religiosa quando criança. Na verdade, eu não aceitava o islamismo xiita. No entanto, eu sempre tive curiosidade sobre Jesus. Eu sabia algo sobre Cristo por assistir a vídeos no Instagram, mas nunca imaginei que teria um encontro como este", afirmou ela.
Depois dessa experiência, ela foi batizada em uma pequena igreja doméstica no norte do Iraque: "Desde que encontrei Cristo, muitas coisas boas aconteceram na minha vida. Sinto uma paz especial e confiei a minha vida e meu destino a Ele".
"Hoje, embora esteja passando por muita coisa, sinto uma paz profunda por causa de Cristo", acrescentou.
Sameera destacou que a morte da filha não deve ser esquecida: "Houve muitas vezes em que ela me incentivou a ir às ruas. Ela implorou para que eu fosse com ela. Ela insistiu. Ela disse que tínhamos que protestar em nome daqueles que perderam a vida".
E continuou: "Ela costumava dizer: 'Eu adoraria que as pessoas fossem livres um dia'. Ela também dizia: 'Se algo me acontecer, lembrem-se de mim no dia da liberdade'".
A morte da jovem ocorreu em meio a uma onda de protestos no Irã. Ao comentar o cenário no país, Sameera afirmou: "A República Islâmica é um câncer, é realmente um câncer, e alguém precisa destruí-la. Se isso não acontecer, ficarei profundamente triste, porque perdemos muitos jovens, e eles ainda estão sendo executados hoje em dia".
Milhares de manifestantes mortos
Segundo o portal iraniano Iran International, mais de 36 mil pessoas foram mortas pelo regime aiatolá durante o auge dos protestos no início de janeiro, números semelhantes aos divulgados pela revista Time.
Segundo o veículo, a estimativa de mortos na violenta repressão ocorrida em 8 e 9 de janeiro foi baseada em dados extensos obtidos a partir de “documentos confidenciais, relatórios de campo e relatos de profissionais de saúde, testemunhas e familiares das vítimas”.
A publicação afirmou que os números tornam esses assassinatos “o massacre mais sangrento de civis durante protestos de rua, em um intervalo de dois dias, na história”.
De acordo com o relatório, a maioria dos assassinatos foi cometida pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e pela milícia aliada Basij, embora também tenham sido utilizados combatentes proxies vindos do Iraque e da Síria.