Uma advogada que defendeu cristãos perseguidos foi presa recentemente, no Irã, após ser acusada de “agir contra a segurança nacional".
Segundo o Article 18, Bahar Sahraian foi detida em 16 de maio enquanto trabalhava em seus casos no Tribunal Revolucionário de Shiraz, na cidade de Shiraz.
Naquele dia, Bahar foi levada ao escritório do promotor e acusada de "reunião e conluio para agir contra a segurança nacional", "atividades de propaganda contra o sistema islâmico" e "publicação de falsidades".
Em seguida, a advogada foi enviada para a prisão de Adel Abad. Bahar fez a defesa jurídica de vários presos políticos, incluindo cristãos perseguidos no Irã.
Defendendo a liberdade religiosa
Ela representou o casal cristão Sam Khosravi e Maryam Falahi, cuja filha adotiva, Lydia, foi ordenada por um tribunal a ser retirada de seus cuidados porque eles haviam se convertido ao cristianismo e Lydia era considerada nascida muçulmana.
Bahar conseguiu reverter a situação através de um decreto da mais alta autoridade islâmica xiita no Irã declarando que, devido à "natureza crítica" do caso, à má saúde da criança e ao apego emocional indiscutível com seus pais, a adoção de Lydia por convertidos cristãos era permitida.
A advogada também defendeu o casal cristão Sara Ahmadi e Homayoun Zhaveh, que foram condenados a um total combinado de 10 anos de prisão por abrir uma igreja doméstica no Irã.
A família Bet-Tamraz, que foi condenada por participar de uma igreja doméstica, e ex-muçulmanos que se converteram e enfrentaram acusações de "apostasia" também foram defendidos por Bahar.
Ela já havia enfrentado a repressão do regime islâmico em 2022, quando foi presa junto com mais outros 30 advogados durante os protestos que explodiram após a morte de Mahsa Amini – uma jovem de 22 anos assassinada porque “estava usando seu hijab meio frouxo”.
Em janeiro deste ano, Shima Ghosheh, outra advogada que defendeu cristãos, foi presa no Irã. Ela foi libertada sob fiança de quase 40.000 dólares, em março.
Perseguição no Irã
O Irã é um país predominante muçulmano e o governo islâmico persegue os cristãos, proibindo igrejas, Bíblias e evangelismo.
Líderes e cristãos descobertos podem enfrentar prisão e tortura, principalmente se deixaram o Islã para seguir a Cristo, já que renunciar ao islamismo é proibido pela Sharia (lei islâmica).
Apesar da forte perseguição, a igreja secreta continua crescendo no país, segundo um relatório do Article 18.
O Irã ocupa a 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.