Após 3 anos de batalha judicial, ex-gay é inocentado por compartilhar testemunho em Malta

Matthew Grech foi acusado de “terapia de conversão” por contar seu testemunho de redenção.

fonte: Guiame, com informações de Christian Today

Atualizado: Quarta-feira, 4 Março de 2026 as 5:12

Matthew Grech. (Foto: Reprodução/Facebook/Matthew Grech)
Matthew Grech. (Foto: Reprodução/Facebook/Matthew Grech)

Um cristão que deixou a homossexualidade após aceitar Jesus foi declarado inocente, depois de três anos enfrentando acusações de “promover terapias de conversão” em Malta.

Matthew Grech foi acusado de violar a lei que proíbe a chamada “terapia de conversão”, prática de tentar mudar a orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa.

O processo teve início após uma entrevista, em 2022, ao portal PMnews Malta, na qual Matthew contou seu testemunho de redenção e afirmou que acredita na mudança da atração por pessoas do mesmo sexo por meio da fé e de acompanhamento terapêutico.

"Os cristãos devem ter a liberdade de compartilhar seus testemunhos, compartilhar o que Deus fez em suas vidas, compartilhar seus pontos de vista sobre sexualidade e gênero e compartilhar a Palavra de Deus livremente, sem qualquer sentimento de intimidação, medo ou assédio", disse ele fora do tribunal.

E continuou: "Os tribunais malteses decidiram a favor da liberdade de expressão, da liberdade religiosa, e estamos muito gratos por finalmente podermos vislumbrar um futuro onde possamos presenciar a restauração de uma discussão saudável, um debate saudável em torno da sexualidade e do gênero".

"E a verdade é: transformação, mudança, é real, é possível, e é hora de trazer a discussão de volta à mesa", acrescentou.

‘Uma arma nas mãos de ativistas’

Após contar seu testemunho, Matthew foi a julgamento pela primeira vez e enfrentava uma pena de até cinco meses de prisão e uma multa de até 5.000 euros. 

As alegações finais foram feitas em fevereiro de 2025. A decisão deveria ter saído até o fim daquele ano, mas acabou sendo adiada diversas vezes.

Nesta quarta-feira (4), Matthew foi finalmente declarado inocente: "É uma vitória! Louvado seja Jesus!", disse ele nas redes sociais.

Em Malta, desde 2016, existe uma lei que proíbe qualquer tratamento, prática ou esforço contínuo que tenha como objetivo alterar ou suprimir a orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa. O país foi o primeiro da União Europeia a aprovar esse tipo de legislação.

Com base nisso, Matthew apelou ao governo maltês e à Comissão Europeia para que revoguem a lei: “Trata-se simplesmente de uma arma nas mãos de ativistas e precisa ser abolida". 

E continuou: “A lei jamais deve ser usada como arma para silenciar testemunhos cristãos legítimos. Isso expôs o perigo de leis penais com redação vaga, que podem ser distorcidas e aplicadas arbitrariamente. Quando as leis são ambíguas, elas se tornam ferramentas, e ferramentas em mãos erradas podem se tornar armas".

"Ao longo desses últimos três anos, o próprio processo se tornou a punição. Sofri desgaste emocional, danos à minha reputação, prejuízos financeiros e incerteza constante. Ninguém deveria ter que viver sob o peso de acusações criminais simplesmente por exercer seu direito à liberdade de expressão”, acrescentou. 

‘O quão absurdo e perigoso este caso se tornou’

Para Matthew, a vitória na justiça não é apenas uma reparação pessoal, mas uma “reafirmação de um princípio fundamental: falar sobre a própria experiência de vida, incluindo o poder transformador de Cristo, não é crime. O fato de isso ter acontecido em Malta, com o apoio da ampla rede política europeia, deve servir de alerta para o mundo".

Além dele, os dois jornalistas que o entrevistaram também foram processados e considerados inocentes. A advogada e CEO da organização jurídica Christian Legal Centre (CLC), Andrea Williams, que o auxiliou na defesa, disse:

"É um grande dia para o Evangelho e um grande dia para mostrar que a mudança é possível e para sermos livres para falar dessa mudança". 

Andrea destacou que "terapia de conversão" era "um termo indefinido, politicamente carregado e sem qualquer fundamento na realidade, e que nunca deveria ter sido usado para atacar um jovem simplesmente por compartilhar seu testemunho cristão".

"Matthew jamais deveria ter sido arrastado pelos tribunais criminais por descrever abertamente sua jornada de fé, uma decisão pessoal e voluntária de seguir a Cristo. Até mesmo os jornalistas que o confrontaram veementemente durante a entrevista foram processados, o que demonstra o quão absurdo e perigoso este caso se tornou", relatou ela.

"A absolvição de hoje envia uma mensagem inequívoca: as tentativas de criminalizar o ensino e o testemunho cristãos não prevalecerão. Esta é uma vitória para Malta, para a Europa e para todos aqueles que se importam com a liberdade de expressão e a liberdade religiosa em todo o mundo", concluiu.

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