O cartunista e comentarista político Scott Adams, criador do quadrinho Dilbert, afirmou ter aceitado Jesus Cristo nos seus últimos dias de vida. Ele morreu na última terça-feira (13), aos 68 anos, após enfrentar um câncer de próstata em estágio avançado.
A notícia foi confirmada por sua ex-esposa, Shelly Miles Adams, durante uma transmissão ao vivo, na qual leu uma declaração escrita por Adams no dia 1 de janeiro. No texto, ele afirmou estar lúcido e consciente ao relatar sua conversão ao cristianismo.
"Aceito Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador e desejo passar a eternidade com Ele. A questão de não ser crente será rapidamente resolvida se eu acordar no Céu. Não precisarei de mais convencimento do que isso. E espero ainda ser elegível para entrar", escreveu ele.
Em sua declaração final, Adams também expressou gratidão por sua trajetória: “Tive uma vida incrível. Dei tudo de mim”. Ele encorajou seus leitores a "serem úteis e, por favor, saibam que amei todos vocês até o fim".
Carreira
Nascido em 8 de junho de 1957, em Windham, Nova York, Adams ficou mundialmente conhecido ao lançar “Dilbert” em 1989, uma tira em quadrinhos que satirizava o ambiente corporativo. A obra chegou a ser publicada em mais de 2.000 jornais ao redor do mundo. Em 1995, ele passou a se dedicar integralmente à carreira de cartunista.
Além dos quadrinhos, Adams escreveu livros e, a partir de 2018, ganhou ainda mais projeção com o podcast ‘Coffee with Scott Adams’, no qual passou a comentar política sob uma perspectiva conservadora.
Em 2023, diversos jornais deixaram de publicar “Dilbert” após Adams ser acusado de fazer comentários racistas sobre uma pesquisa da Rasmussen relacionada a questões raciais, o que gerou forte reação pública.
Ele também passou a criticar o papel da China na crise do fentanil nos Estados Unidos, depois da morte de seu enteado, Justin Miles, por overdose de fentanil aos 18 anos.
A Final Message From Scott Adams pic.twitter.com/QKX6b0MFZA
— Scott Adams (@ScottAdamsSays) January 13, 2026
Homenagens
Poucos dias antes de morrer, Adams voltou a falar sobre sua decisão de se converter ao cristianismo em seu podcast, citando o argumento filosófico conhecido como “Aposta de Pascal”:
"Eu acredito que a teoria cristã dominante é que eu acordaria no Céu se tivesse uma vida boa. Agora estou convencido de que a relação risco-recompensa é totalmente inteligente. Se no final não houver nada a ganhar, não perdi nada, mas respeitei seus desejos, e gosto de fazer isso. Se houver algo ali, e o modelo cristão for o mais próximo disso, eu ganho", disse Adams na época.
Em maio de 2025, Adams anunciou que estava com câncer de próstata metastático e relatou que atravessou um momento de desespero, no qual pensou em tirar a própria vida, antes de iniciar um tratamento que lhe deu mais qualidade de vida.
Após a confirmação de sua morte, o ex-presidente Donald Trump publicou uma homenagem, chamando Adams de “um grande influenciador” e destacando sua coragem na luta contra a doença.
"Infelizmente, o grande influenciador Scott Adams faleceu. Ele era um cara fantástico, que gostava de mim e me respeitava quando isso não era comum. Ele lutou bravamente uma longa batalha contra uma doença terrível. Meus sentimentos à sua família e a todos os seus muitos amigos e ouvintes. Ele fará muita falta. Que Deus o abençoe, Scott!", disse Trump em uma publicação no TruthSocial.
O vice-presidente JD Vance também prestou uma homenagem a Adams: "Scott Adams era um verdadeiro americano original e um grande aliado do Presidente dos Estados Unidos e de toda a administração. Minhas orações estão com Scott e com todos vocês que o amavam. Perdemos um dos bons, mas nunca o esqueceremos".