Em meio a repressão de protestos no Irã, pastores correm mais riscos: "Orem por proteção"

Há 13 dias, milhões de iranianos saíram às ruas para protestar contra o regime ditatorial islâmico e a crise econômica que assola o país.

fonte: Guiame, com informações de Mission Network News e CBN News

Atualizado: Sexta-feira, 9 Janeiro de 2026 as 11:58

Milhões de iranianos protestaram nas ruas contra o regime islâmico. (Foto: Reprodução/Instagram/Hananya Naftali).
Milhões de iranianos protestaram nas ruas contra o regime islâmico. (Foto: Reprodução/Instagram/Hananya Naftali).

Há 13 dias, o povo iraniano tem saído  às ruas para protestar contra o regime ditatorial islâmico e a crise econômica.

Desde o dia 28 de dezembro, mais de 340 protestos foram registrados no Irã, segundo a agência de notícias Human Rights Activists News.

Em todas as 31 províncias do país, milhões de iranianos pedem a queda do regime islâmico e a morte do ditador Ali Khamenei, de acordo com a CBN News.

 
 
 
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"As manifestações atuais são as maiores que vimos desde 2022. Mas o interessante é que isso não é uma parte isolada da sociedade. Da última vez, eram realmente só os jovens e alguns ativistas, mas agora são pessoas comuns, da classe trabalhadora, que estão lutando para sobreviver", explicou Lana Silk, da missão Transform Iran, que leva o Evangelho ao povo iraniano, à Mission Network News.

Segundo a líder, a insatisfação dos iranianos com o regime se agravou com o aumento da inflação, que cresceu 42,2% em comparação com dezembro de 2024, segundo o centro de estatísticas do Irã.

"Quando olhamos para essa situação, temos que lembrar que não é uma pessoa sendo dramática sobre sua situação. Trata-se de milhões de pessoas que não podem pagar para comer todos os dias. Eles precisam escolher entre comer e aquecer suas casas no inverno, ou pior, comer e arcar com custos de cuidados médicos essenciais”, explicou Lana.

 
 
 
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Para Edwin Abnous, do ministério Heart4Iran – que evangeliza no Irã –, as manifestações atuais ganharam força devido a vários fatores externos, incluindo o bombardeio de usinas nucleares iranianas realizado por Israel no ano passado.

"Essa onda de protestos no final de 2025 e início de 2026 é muito diferente dos de 2009, 2017, 2019 e também do Movimento Mulher, Vida, Liberdade [de 2022]. A razão é que começou com um choque econômico repentino, e também se espalhou mais rápido e de forma mais ampla”, afirmou.

Trump ameaça intervir no Irã

Outro fator citado por Edwin foi a ameaça do presidente americano Donald Trump, em 2 de janeiro. Ele afirmou que, se o regime iraniano matasse manifestantes, responderia com uma intervenção militar.

"Quando os EUA respondem muito claramente em apoio aos manifestantes, isso aumenta o valor do movimento. Essa é uma mensagem clara para o governo [do Irã] de que, desta vez, as coisas são diferentes”, avaliou o líder.

Ele comentou que a captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela também influenciou o ambiente político no Irã.

“A Venezuela acabou sendo um dos aliados mais próximos do Irã", observou. “Uma vez que esse vínculo entre o Irã e a Venezuela seja descoberto, não apenas os laços políticos e a conexão do Irã com a América do Sul serão afetados, mas também o intercâmbio econômico entre esses dois países terá que ser interrompido”, afirmou Edwin.

O governo iraniano está reprimindo os manifestantes; até agora mais de duas mil pessoas foram presas. Conforme a Human Rights Activists News, 38 mortes foram registradas.

Apelo do príncipe herdeiro exilado

Na quinta-feira (8), o grupo de monitoramento online NetBlocks informou que o regime bloqueou a internet em toda a nação, em uma tentativa de dissipar os protestos.

Apesar do corte da internet, o movimento contra o governo ditatorial está aumentando. Nesta semana, o príncipe herdeiro exilado do Irã, Reza Pahlavi, convocou os iranianos a cantarem juntos contra o regime na quinta-feira (8) e nesta sexta-feira (9).

"A partir exatamente das 20h, onde quer que estejam, seja nas ruas ou até mesmo em suas próprias casas, peço que comecem a cantar exatamente neste horário. Com base na sua resposta, anunciarei os próximos chamados à ação”, declarou Pahlavi.

Cristãos em risco

O líder Edwin Abnous ainda alertou que os cristãos podem enfrentar maior perseguição durante a agitação social no Irã.

“Eles podem facilmente ser pintados como agentes ocidentais, mesmo quando não são. As pessoas em maior risco são os líderes das igrejas domésticas, os novos crentes e qualquer pessoa ativa online ou em contato com os cristãos no exterior", observou. 

Nesse contexto, os cristãos podem sofrer espionagem, prisões, pressão familiar e acusações mais severas relacionadas à segurança nacional.

A Mission Network News pediu orações pela situação do Irã e pela Igreja iraniana. “Por favor, orem por uma liderança piedosa no Irã. Ore por proteção e coragem para os crentes, e ore para que a esperança em Cristo se espalhe”, afirmou.

Perseguição no Irã

O Irã é um país predominante muçulmano e o governo islâmico persegue os cristãos, proibindo igrejas, Bíblias e evangelismo. 

Líderes e cristãos descobertos podem enfrentar prisão e tortura, principalmente se deixaram o Islã para seguir a Cristo, já que renunciar ao islamismo é proibido pela Sharia (lei islâmica).

Apesar da forte perseguição, a igreja secreta continua crescendo no país, segundo um relatório do Article 18.

O país ocupa a 9ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2025 da Missão Portas Abertas.

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