Filho linha-dura de Ali Khamenei é escolhido como novo líder supremo do Irã

Assembleia dos Peritos nomeia Mojtaba Khamenei após a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataques da coalizão EUA-Israel

fonte: Guiame, com informações da Reuters

Atualizado: Segunda-feira, 9 Março de 2026 as 9:46

Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã. (Foto: Wikipedia)
Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã. (Foto: Wikipedia)

O Irã anunciou a escolha do clérigo xiita Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. A decisão foi tomada pela Assembleia dos Peritos, órgão composto por religiosos que possui autoridade constitucional para indicar a autoridade máxima do regime islâmico.

Mojtaba sucede seu pai, Ali Khamenei, que governou o Irã desde 1989 e morreu no fim de fevereiro de 2026, após ataques militares realizados durante a escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e forças iranianas.

A escolha ocorreu neste domingo (08), poucos dias após a morte do antigo líder e em meio à guerra regional que já provocou centenas de mortes e forte instabilidade no Oriente Médio.

Analistas avaliam que a sucessão reforça o controle da ala mais conservadora e radical do regime teocrático iraniano.

Eles dizem que a escolha de Mojtaba, um clérigo profundamente linha-dura cuja esposa, mãe e outros membros da família também foram mortos em ataques entre EUA e Israel – envia uma mensagem inequívoca: a liderança do Irã ⁠rejeitou qualquer perspectiva de compromisso para preservar o sistema e não vê caminho para a frente, exceto confronto, vingança e resistência.

“O mundo sentirá falta da era de seu pai”, disse uma autoridade regional próxima a Teerã à Reuters.

“Mojtaba não terá escolha a não ser mostrar um punho de ferro... mesmo que a guerra acabe, haverá severa repressão interna.”

'Grande Satã'

Para muitos clérigos iranianos, que frequentemente se referem aos EUA como o “Grande Satã”, o assassinato de Khamenei – a mais alta autoridade religiosa da República Islâmica – elevou sua morte à condição de “martírio”.

Os clérigos passaram a retratar o líder morto como uma figura heroica, comparando-o ao Imam Hussein – símbolo central do xiismo, associado ao sacrifício e à resistência contra a opressão.

Segundo a Reuters, o presidente americano Donald Trump havia declarado o nome do filho de Ali Khamenei como seu sucessor "inaceitável".

“Mojtaba é ainda pior e mais linha-dura do que seu pai”, afirmou Alan Eyre, ex-diplomata dos Estados Unidos e especialista em Irã, acrescentando que ele era o candidato preferido da Guarda.

“Ele terá muita vingança a exercer.”

Declaração após a escolha

Segundo a Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia classificado como “inaceitável” a escolha do filho de Ali Khamenei como seu sucessor.

De acordo com o comunicado divulgado por autoridades iranianas, o novo líder declarou que “a República Islâmica continuará firme diante de seus inimigos”, destacando que o Irã atravessa um período decisivo de sua história.

Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, Mojtaba Khamenei é clérigo xiita e professor de teologia no seminário de Qom. Ele também participou da Guerra Irã–Iraque e ao longo dos anos foi considerado uma figura influente nos bastidores da política iraniana, com fortes vínculos com a Guarda Revolucionária.

Apesar de nunca ter ocupado cargos políticos formais de grande destaque, especialistas afirmam que ele já exercia grande influência na estrutura de poder do país e era visto como um possível sucessor de seu pai há anos.

Contexto político e impacto internacional

A nomeação acontece em um dos momentos mais tensos da história recente do Irã. O país está envolvido em confrontos militares e enfrenta sanções econômicas, além de crescente pressão internacional.

A sucessão também gerou críticas internas e externas por representar, para alguns analistas, uma espécie de transferência de poder dentro da mesma família, algo que lembra modelos dinásticos.

Observadores internacionais afirmam que a ascensão de Mojtaba pode significar uma linha política ainda mais rígida nas relações com o Ocidente e na condução dos conflitos regionais.

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