Uma ferramenta de personalização de latas da Coca-Cola chamou atenção e virou alvo de críticas após bloquear frases positivas sobre Jesus, enquanto permitia mensagens favoráveis a Satanás.
Em um teste feito ao vivo, o influenciador cristão Ryan Haff mostrou que expressões como “Jesus é bom” eram rejeitadas pelo sistema no site da empresa, mas “Satanás é bom” era aceita para personalizar a lata.
“Eu queria que isso fosse falso, mas infelizmente não é. E vamos fazer isso ao vivo. Dá para ver que estamos no site da Coca-Cola. Dá para ver a URL bem ali no topo. Este é um espelhamento de tela ao vivo”, disse ele.
Em seguida, ele mostrou o funcionamento da ferramenta enquanto personalizava uma lata: “A primeira frase que vamos tentar é ‘o diabo é rei’. Nenhum problema. Agora vamos tentar ‘Jesus é rei’. De repente, recebemos um erro. Dá para ver aqui que eles dizem: ‘trabalhamos duro para acertar isso’".
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Ryan também testou “Satanás é bom” e conseguiu visualizar a frase na lata. Quando trocou a mensagem para “Jesus é bom”, novamente recebeu um aviso de que a frase não era permitida.
“Sem problemas com ‘Satanás é bom’. Dá para ver a frase aparecer na lata de Coca-Cola bem aqui, mas fica ainda mais interessante. Vamos tentar ‘Jesus é bom’. Novamente, recebemos aquele erro. E você pode trocar por outras religiões. Sem problemas nesse caso”, afirmou ele.
A diferença também apareceu quando Ryan fez o teste com mensagens negativas sobre Jesus.
“Esta é a melhor parte. Vamos voltar para ‘Jesus é bom’. De novo, recebemos o erro, mas e se colocássemos ‘Jesus é mau’? De repente, o sistema aceita. Você pode até colocar ‘Jesus é maligno’, e dá para ver a frase aparecer na lata de Coca-Cola bem ali”, relatou o jovem.
Mensagens controversas
O teste chamou atenção para o funcionamento da ferramenta “Compartilhe uma Coca-Cola”, que permite aos consumidores escolher nomes e frases para colocar nas latas e garrafas. A Fox News Digital também testou o recurso e encontrou outras diferenças nas mensagens aceitas e rejeitadas pelo sistema.
Eles descobriram que o bloqueio não acontecia apenas com mensagens sobre Jesus. Frases religiosas, políticas e até conteúdos considerados extremos tiveram resultados diferentes na plataforma.
Entre as frases rejeitadas estavam “Jesus é o Senhor”, “Alá é o Senhor” e o slogan político associado a Donald Trump, “Torne a América Grande Novamente”. Já expressões como “Orgulho Ateu”, “Deus está morto”, “Shalom” e “Que Buda abençoe” foram aceitas pelo sistema.
A situação gerou críticas principalmente pelo bloqueio de mensagens cristãs comuns, enquanto expressões que fazem referência ao ateísmo e até conteúdos relacionados ao abuso infantil conseguiam passar pelo filtro.
Entre elas estavam “Orgulho Pedófilo” e “Orgulho MAP”, sigla usada para se referir a pessoas que afirmam sentir atração por menores.
Segundo a Fox News Digital, a seguinte mensagem aparecia quando uma frase ou palavra era rejeitada:
"O nome ou frase que você enviou não é permitido. Nomes e frases podem não ser permitidos se pertencerem a uma empresa, organização, celebridade, figura pública, escola, equipe ou outra marca registrada, forem de natureza religiosa ou política, ou puderem ser considerados inadequados ou impróprios por outros motivos".
Coca-Cola diz que houve ‘falha técnica’
O sistema também apresentou diferenças ao analisar mensagens políticas, permitindo conteúdos de alguns grupos e bloqueando outros sem um padrão claro.
Além disso, a investigação descobriu que algumas alterações simples conseguiam burlar o sistema. Ao inserir espaços ou trocar letras por números, determinadas palavras que eram bloqueadas originalmente podiam ser aceitas pela ferramenta.
Após a repercussão do caso, a Coca-Cola afirmou que o problema aconteceu por causa de uma “falha técnica” no recurso de pré-visualização.
Com isso, a empresa desativou temporariamente essa função e suspendeu novos pedidos de produtos personalizados enquanto trabalha para corrigir o sistema.
"Criamos a ferramenta de personalização 'Compartilhe uma Coca-Cola' para que os fãs da Coca-Cola possam celebrar juntos e criar conexões, personalizando garrafas e latas com nomes ou frases especiais”, disse um porta-voz da Coca-Cola à Fox News Digital.
E continuou: “Estamos cientes de um problema técnico que afeta a ferramenta de pré-visualização da personalização e estamos trabalhando para resolvê-lo".
"Enquanto analisamos e tomamos medidas corretivas, desativamos o recurso de pré-visualização e suspendemos novos pedidos de produtos personalizados após tomarmos conhecimento de que ele estava sendo usado para gerar pré-visualizações de conteúdo com termos restritos que não estão de acordo com nossas diretrizes", acrescentou.
Como funciona o filtro
A empresa também explicou que, embora a ferramenta mostre a prévia da lata em tempo real, os pedidos passam por uma análise depois do envio.
Segundo a Coca-Cola, existem medidas para impedir a produção de latas e garrafas com mensagens religiosas, políticas, marcas registradas ou outros conteúdos considerados inadequados.
"Todos os pedidos de personalização estão sujeitos à moderação após o envio, e temos medidas de segurança em vigor para impedir a aprovação e a produção de latas e garrafas com termos e frases religiosos, políticos, marcas registradas, inapropriados ou de qualquer outra forma restritos. Continuaremos a aprimorar essa ferramenta com base no feedback dos consumidores", concluiu.