Gangue mata 47 pessoas no Haiti, incluindo 22 dentro de igreja

Ataque que deixou ao menos 47 mortos e 22 feridos foi um dos mais graves registrados na região, que sofre com o avanço das gangues desde 2025.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post e AFP

Atualizado: Quarta-feira, 26 Agosto de 2026 as 8:37

Porta da igreja onde ocorreu o massacre e homem que lamentou a morte de oito familiares. (Foto: Captura de tela/YouTube/AFP Português)
Porta da igreja onde ocorreu o massacre e homem que lamentou a morte de oito familiares. (Foto: Captura de tela/YouTube/AFP Português)

Ao menos 47 pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas após um ataque de uma gangue armada em Kenscoff, comunidade localizada nas montanhas nos arredores de Porto Príncipe, capital do Haiti.

Segundo as Nações Unidas, 22 das vítimas foram executadas dentro de uma igreja onde haviam buscado refúgio durante a ofensiva.

O número total de mortos ainda pode aumentar à medida que as autoridades obtêm novas informações sobre o massacre.

Em entrevista à AFP, um agricultor afirmou que os moradores não aguentam mais a violência e pediu proteção ao governo central. “Perdi oito membros da minha família”, lamentou.

O ataque começou por volta das 22h30 de domingo (23) e avançou pela madrugada de segunda-feira (24), segundo autoridades locais.

O prefeito de Kenscoff, Jean Massillon, atribuiu a ação à coalizão de gangues Viv Ansanm, um dos grupos criminosos que atuam no país.

“Ontem à noite foi uma noite de terror que atingiu a comuna de Kenscoff”, declarou o prefeito à rádio Magic 9, conforme relatado pelo The Haitian Times.

Além das mortes, sobreviventes relataram casas incendiadas e sequestros. Mais de 50 pessoas teriam sido levadas pelos criminosos, segundo informações divulgadas posteriormente.

Igreja incendiada

A violência também atingiu locais de culto. A agência Fides informou que entre os prédios incendiados estava um templo pertencente à Igreja Evangélica da Arca da Nova Aliança, localizado próximo ao cemitério municipal, no centro de Kenscoff.

Dezenas de residências também foram incendiadas durante a ofensiva. Animais, incluindo cavalos, foram mortos pelos criminosos.

Testemunhas disseram ainda que homens armados fizeram reféns antes de deixar determinadas áreas da cidade. Diante da violência, famílias fugiram de Kenscoff em busca de segurança.

O ataque foi um dos mais graves registrados recentemente na região, que já vinha sofrendo com o avanço das gangues desde 2025.

Kenscoff ocupa uma posição estratégica nas montanhas que cercam Porto Príncipe e tem sido alvo de sucessivas ofensivas de grupos armados.

Reforço na segurança

Após o massacre, o governo haitiano informou que enviou reforços para apoiar a polícia local e colocou as forças de segurança em alerta máximo.

“As ordens são claras: proteger, garantir a segurança e intervir. A autoridade do governo será restaurada – com firmeza e sem demora – em todo o território de Kenscoff”, afirmou o governo em comunicado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o ataque e pediu que os responsáveis sejam levados à Justiça.

Segundo ele, os ataques contínuos das gangues contra comunidades e as mortes demonstram a grave situação de segurança no Haiti e reforçam a necessidade de ampliar os esforços nacionais e internacionais para combater os grupos criminosos.

Escalada da violência

O massacre acontece em meio ao agravamento da crise de segurança no Haiti.

Dados do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH) mostram que 1.408 pessoas morreram e 656 ficaram feridas entre abril e junho de 2026.

Os ataques de gangues foram responsáveis por 55% das mortes e ferimentos registrados no período.

“Esses números mostram que a população continua pagando um preço inaceitável pela violência”, afirmou Carlos Ruiz Massieu, representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti e chefe do BINUH.

Segundo a ONU, confrontos entre grupos rivais por território e fontes ilegais de renda também provocaram o deslocamento de mais de 18 mil pessoas em algumas regiões da capital, deixando moradores sem acesso adequado a serviços como saúde e educação.

A violência das gangues já deslocou cerca de 1,5 milhão de pessoas em todo o Haiti, enquanto grupos armados controlam aproximadamente 70% de Porto Príncipe.

veja também