A organização pró-vida americana Live Action está enfrentando uma ameaça de ação judicial após classificar o aborto como o ato de matar uma criança ainda não nascida.
A fundadora e presidente do grupo, Lila Rose, afirmou que não pretende mudar a linguagem usada pela entidade diante das pressões legais.
No mês passado, a Live Action recebeu uma notificação extrajudicial da Amplify Legal, ligada à organização Abortion in America.
O documento exigia que o grupo interrompesse o que chamou de uma “campanha maliciosa de desinformação” e retirasse declarações consideradas difamatórias contra 13 clientes representadas pela organização.
Segundo a Amplify Legal, conteúdos publicados pela Live Action em artigos, vídeos e redes sociais teriam retratado mulheres que passaram por abortos como “assassinas”.
A entidade afirma ainda que algumas delas teriam recebido ameaças de morte após a divulgação dos conteúdos.
BREAKING
— Lila Rose (@LilaGraceRose) August 17, 2026
A George Soros-backed law firm is threatening @LiveAction, demanding we retract statements where abortion is described as “killing” preborn children.
Our answer is No.
Threats will not stop us from calling abortion what it is or from fighting for the right of every… pic.twitter.com/7Go3knSrTp
A notificação estabeleceu prazo até 28 de julho para que a Live Action removesse o material questionado e publicasse um pedido de desculpas. A organização pró-vida, porém, rejeitou as exigências.
“Aborto é um ato de matar. Ele encerra deliberadamente a vida de uma criança humana viva”, declarou Lila Rose.
Para a ativista, a disputa também envolve a maneira como o aborto é apresentado à sociedade. Segundo ela, ativistas favoráveis ao procedimento procuram controlar a linguagem empregada no debate.
“Eles querem colocar o aborto além do julgamento moral, mesmo quando a criança visada é deficiente ou recebeu um diagnóstico difícil. Eles sabem que controlar a linguagem é essencial para tornar o aborto mais fácil de aceitar, porque as pessoas entendem intuitivamente que o aborto mata uma criança e que todo bebê merece uma chance de viver”, afirmou.
‘Não vamos ser pressionados’
Lila também declarou que a Live Action continuará defendendo crianças ainda não nascidas e não aceitará substituir os termos que considera adequados para descrever o aborto.
“Não seremos pressionados a usar uma linguagem que esconda o que o aborto faz ou que torne mais fácil aceitar a morte de uma criança ainda não nascida”, afirmou.
A líder pró-vida acrescentou que as ameaças legais não alterarão a missão da organização.
“As ameaças não nos impedirão de chamar o aborto pelo que ele é ou de lutar pelo direito de toda criança viver. Continuaremos lutando e venceremos”, declarou.
Segundo Lila, os americanos têm o direito de expressar publicamente suas convicções sobre o aborto sem receio de serem levados aos tribunais por isso.
“Essas crianças são seres humanos. Suas vidas têm dignidade e elas têm o direito de viver. Os americanos têm todo o direito de dizer isso aberta e enfaticamente, sem medo de serem arrastados para o tribunal por se recusarem a adotar a linguagem enganosa preferida pelos ativistas do aborto”, disse.
Liberdade de expressão
A Live Action está sendo representada juridicamente pela Thomas More Society, organização jurídica que atua em causas relacionadas à vida, família e liberdade religiosa.
Em comunicado divulgado na segunda-feira (17), os advogados afirmaram que a Live Action não interromperá sua cobertura sobre o aborto, não excluirá seu arquivo nem retirará aquilo que considera opinião protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.
“Live Action não deixará de noticiar sobre o aborto. Não deixará de expressar a opinião – compartilhada por dezenas de milhões de americanos e pelo movimento pró-vida – de que o aborto tira a vida de um ser humano vivo e pode ser descrito corretamente como ‘matar’”, afirmou a defesa.
Peter Breen, vice-presidente executivo e chefe de litígios da Thomas More Society, classificou a notificação como uma tentativa de silenciar o discurso pró-vida.
Segundo o advogado, a Amplify Legal não apresentou decisões judiciais que sustentem uma proibição de que defensores da vida utilizem o termo “matar” ao se referirem ao aborto.
Breen também destacou que a própria Suprema Corte americana já empregou o termo em decisões relacionadas ao tema.
“Estamos orgulhosos de defender o trabalho jornalístico da Live Action e seu direito de falar livre e claramente sobre a questão social mais controversa do nosso tempo”, afirmou.
A Live Action declarou que continuará produzindo conteúdos sobre aborto e defendendo o direito à vida de crianças nascidas e ainda não nascidas.