Polícia impede culto e prende evangelista na Holanda: ‘Continuarei pregando’

Após protestos LGBT, policiais evacuaram o culto de cura do evangelista Tom de Wal em Tilburg. Ele foi preso enquanto orava por pessoas do lado de fora da igreja.

fonte: Guiame, com informações de Revive e AD

Atualizado: Terça-feira, 13 Janeiro de 2026 as 10:44

Tom de Wal ficou preso por algumas horas antes de ser libertado. (Foto: Reprodução/Instagram/Revive/Jean-Luc Trachsel ministries).
Tom de Wal ficou preso por algumas horas antes de ser libertado. (Foto: Reprodução/Instagram/Revive/Jean-Luc Trachsel ministries).

Policiais interromperam um culto e prenderam o evangelista Tom de Wal na Holanda, na última sexta-feira (9).

Tom estava promovendo uma campanha de cura em uma igreja local na cidade de Tilburg, quando policiais invadiram o templo e encerraram o culto, obrigando os participantes a saírem da igreja, segundo o portal holandês AD.

Os oficiais cumpriram uma ordem do prefeito de Tilburg, que alegou que Tom de Wal não tinha permissão para realizar um evento público na cidade.

A polícia escoltou o evangelista para fora da igreja. Em frente ao local, os cristãos que foram expulsos da igreja continuaram louvando ao Senhor e muitas pessoas que foram à campanha em busca de cura receberam oração de Tom.

 
 
 
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“Quando eles saíram, descobriram uma multidão de pessoas que viajaram de muitos outros lugares, doentes e cheios de expectativa por oração. Tom começou a orar pelos doentes na rua, e a polícia disse que não era permitido”, relatou o evangelista Jean-Luc Trachsel, que lidera um ministério evangelístico com base na Suíça.

Nesse momento, policiais prenderam o evangelista e ele passou algumas horas na cadeia antes de ser libertado.

Protestos de ativistas LGBT

Tom de Wal, de 35 anos, é líder da Frontrunners Ministries. A missão havia planejado realizar três cultos da campanha “Semana do Avivamento” em um hotel na cidade de Eindhoven, no último final de semana.

Porém, ativistas LGBT realizaram protestos contra o evento cristão e o hotel cancelou a reserva para a Frontrunners Ministries.

Então, o evangelista Tom transferiu os cultos para uma igreja em Tilburg, que fica na mesma região.

De acordo com Stephan van der Wouden, diretor de operações do Frontrunners, os mesmos manifestantes de Eindhoven viajaram até Tilburg para continuar protestando contra a campanha.

Os protestos iniciaram após reportagens da imprensa acusarem Tom de Wal de promover “cura gay".

“Essa imagem é imprecisa e não se aplica. Tom de Wal nunca fala sobre esse assunto. Essa cobertura da mídia inflamou a situação desnecessariamente”, esclareceu Stephan, em entrevista ao Revive.

Ele ainda afirmou que não houve uma comunicação clara por parte da prefeitura de Tilburg e que a campanha se tratava de uma reunião religiosa. "Não organizamos explicitamente um evento público", declarou.

Culto cancelado

Em vídeo compartilhado no Instagram, Tom de Wal explicou: “O que aconteceu foi realmente bizarro. Tudo surgiu de mentiras da mídia. Nunca oramos pela cura de homossexuais. Mas um grupo inteiro de manifestantes nos impediu de realizar nossos cultos no local de costume”.

“Então, entramos em contato com uma igreja que conhecemos em Tilburg. Quando cheguei lá, vi viaturas da polícia estacionadas do lado de fora”.

Conforme o evangelista, os policiais ordenaram que ele cancelasse o culto, caso contrário, iriam evacuar a igreja.

“Naquele momento, decidi não cooperar e simplesmente deixar o culto prosseguir. É um culto religioso na Holanda. Liberdade religiosa, é isso que defendemos. Mais e mais viaturas policiais foram mobilizadas. Cães policiais e todo tipo de manifestante se reuniram do lado de fora”, lembrou ele.

“Então eu disse à nossa equipe: se a polícia invadir o culto, nós iremos com eles. Sem fazer alarde ou resistir. Finalmente, depois de um tempo de culto, a polícia realmente chegou”.

E Tom concluiu: “Não vamos parar, mas continuaremos pregando o Evangelho de Jesus Cristo: Ele salva, perdoa, cura e liberta e que as Boas Novas devem ser ouvidas por todos”.

Violação da liberdade religiosa

Vídeos da prisão de Tom se espalharam pelas redes sociais e causaram indignação entre a comunidade cristã da Holanda.

“Isto é um escândalo e ilegal, e mostra algo muito claro. Quando pregamos o Evangelho e trazemos o Reino de Deus com demonstração de poder para curar os doentes e libertar os cativos, o inimigo fica louco. Mas não seremos intimidados. A perseguição está aumentando na Europa, mas a Glória do Senhor está aumentando ainda mais. Nós não vamos desistir. Vamos ver um avivamento na Europa”, disse Jean-Luc Trachsel. E pediu: “Ore por Tom. Ore pela liberdade em toda a Europa”.

Para Sophie van Bijsterveld, professora de religião, direito e sociedade na Universidade Radboud de Nijmegen, a intervenção do governo na campanha do evangelista Tom foi um erro.

"Um evento é descrito na portaria municipal de Tilburg como 'qualquer operação de entretenimento acessível ao público'. É difícil sustentar que [o culto] foi assim. Seja qual for a opinião sobre de Wal, isso foi uma expressão de fé. Não pode ser solicitada permissão para isso. Além disso, é preciso olhar para a Lei de Manifestações Públicas, na qual direitos fundamentais como a liberdade religiosa são elaborados”, defendeu a professora, em entrevista ao portal holandês AD.

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