Trump diz que cessar-fogo com o Irã “acabou” e reacende possibilidade de guerra

Após ataques iranianos a navios comerciais no Estreito de Ormuz e uma nova escalada militar entre Teerã e Washington, Trump declarou encerrado o acordo provisório que suspendia os combates desde abril.

fonte: Guiame, com informações da BBC e Reuters

Atualizado: Quarta-feira, 8 Julho de 2026 as 10:18

Donald Trump fala sobre o fim do cessar-fogo com o Irã durante a cúpula da OTAN. (Captura de tela/OTAN)
Donald Trump fala sobre o fim do cessar-fogo com o Irã durante a cúpula da OTAN. (Captura de tela/OTAN)

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (08) que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo firmado com o Irã após uma nova rodada de ataques iranianos contra bases militares americanas no Golfo Pérsico.

Segundo Trump, os bombardeios contra instalações dos EUA no Bahrein e no Kuwait representam uma violação do entendimento diplomático que havia interrompido os combates nas últimas semanas.

Ao ser questionado por um jornalista, durante a cúpula da Otan – realizada em 7 e 8 de julho, em Ancara, na Turquia – sobre se o cessar-fogo havia chegado ao fim, Trump respondeu: “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou.”

O presidente dos EUA afirmou que não pretende continuar negociando: “Não quero mais lidar com eles. São escória. Pessoas doentes, lideradas por pessoas doentes. Cruéis e violentas. Se tivessem uma arma nuclear, usariam. Para mim, acabou.”

Ele ainda acrescentou que considera inútil manter qualquer diálogo: “É pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos.”

A decisão ocorre após o agravamento das tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.

O conflito voltou a escalar depois de ataques iranianos a embarcações comerciais e militares na região, levando Washington a ordenar novas ações militares contra alvos estratégicos iranianos. Em resposta, Teerã lançou mísseis e drones contra instalações americanas no Golfo.

Comunicado oficial

Em comunicado no X, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que as forças americanas realizaram, em 7 de julho, uma nova rodada de ataques ofensivos contra o Irã, atingindo mais de 80 alvos com munições de precisão.

Segundo o órgão, a operação foi uma resposta aos recentes ataques iranianos contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e teve como alvo sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, radares costeiros, capacidades de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas embarcações ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica.

O CENTCOM afirmou ainda que três navios comerciais foram atacados recentemente durante a travessia pelo estreito: o M/T Al Rekayyat, registrado nas Ilhas Marshall, o M/T Wedyan, de bandeira saudita, e o M/T Cyprus Prosperity, registrado na Libéria.

Para os EUA, os ataques representaram uma “violação clara e perigosa do cessar-fogo” e um ataque à liberdade de navegação em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.

O cessar-fogo estava em vigor desde abril, quando os dois países concordaram em suspender temporariamente as hostilidades após mediação internacional liderada pelo Paquistão e pelo Catar, que agora tentam evitar um novo colapso diplomático na região.

Posteriormente, em junho, o entendimento foi ampliado para permitir negociações sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional.

Apesar disso, o acordo era considerado frágil e vinha sendo marcado por acusações mútuas de violações.

Papel de Israel

A decisão de Trump também reacendeu especulações sobre o envolvimento de Israel em uma nova fase do conflito.

Embora o governo israelense ainda não tenha anunciado oficialmente uma nova ofensiva conjunta, o país participou dos ataques iniciais contra instalações militares e nucleares iranianas e mantém elevado estado de alerta.

Analistas internacionais avaliam que uma eventual ampliação das operações americanas poderá contar novamente com apoio logístico, de inteligência e militar israelense.

Na prática, o anúncio de Trump não significa automaticamente uma declaração formal de guerra, mas indica o colapso das negociações diplomáticas que buscavam encerrar o conflito e evitar novos confrontos no Oriente Médio.

Atores regionais e preço do petróleo

A principal preocupação da comunidade internacional é que a retomada dos combates envolva outros atores regionais e comprometa novamente o fluxo global de petróleo, provocando impactos econômicos em diversos países.

O preço do barril já reagiu com alta nos mercados internacionais após as declarações do presidente americano.

Até o momento, o governo iraniano afirma que os EUA são responsáveis pela nova escalada militar e não sinalizou disposição para retomar as negociações enquanto persistirem ameaças e ataques contra o país.

Com isso, cresce o temor de que o Oriente Médio entre em uma nova fase de instabilidade, encerrando uma das poucas janelas diplomáticas abertas desde o início da guerra.

veja também