Maioria dos brasileiros é contra eutanásia e suicídio assistido, mostra pesquisa

O levantamento do Datafolha revelou que 56% da população são contra a eutanásia e 60% são contrários ao suicídio assistido.

fonte: Guiame, com informações de G1

Atualizado: Segunda-feira, 17 Agosto de 2026 as 3:36

Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/engin akyurt).
Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/engin akyurt).

A maioria dos brasileiros se pocisiona contra a eutanásia e o suicídio assistido, de acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, divulgado no sábado (15). O estudo é o primeiro a investigar a opinião da população sobre morte assistida no Brasil.

Eutanásia e suicídio assistido são práticas diferentes. A primeira ocorre quando um paciente pede para morrer e um profissional aplica a substância que provoca a morte. Já, no suicídio assistido, o próprio paciente toma a medicação que leva ao falecimento.

Segundo a pesquisa, 56% dos entrevistados são contra a eutanásia e 60% são contrários ao suicídio assistido. Já 39% são a favor da eutanásia e 35% aprovam o suicídio assistido.

Já quando perguntados se médicos deveriam poder interromper tratamentos que prolongam a vida de pacientes com doenças incuráveis através de aparelhos, 48% responderam que sim e 48% que não.

O levantamento foi realizado com 2.050 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do país, nos dias 3 e 4 de agosto.

O Datafolha detalhou a opinião dos brasileiros sobre o assunto. 45% dos brasileiros são totalmente contra a eutanásia e 11% são contrários parcialmente. Enquanto 22% são totalmente a favor da eutanásia e 17% são parcialmente favoráveis. Outros 2% não se posicionaram e 3% não souberam responder.

Sobre o suicídio assistido, 50% dos brasileiros são totalmente contra e 10% são contra parcialmente. Já 22% declararam ser totalmente favoráveis e 13% ser parcialmente favoráveis. Outros 2% não se posicionaram e 3% não souberam responder.

O estudo ainda perguntou aos entrevistados se cada pessoa deveria poder decidir sobre o fim da própria vida, incluindo o momento e a forma de morrer, mesmo que isso significasse antecipar o falecimento.

Mais da metade (51%) responderam que não, enquanto 46% afirmaram que sim. Outros 2% não souberam responder e 1% não se posicionou.

O Datafolha também avaliou se os brasileiros consideravam moralmente correto ou errado um médico ajudar um paciente terminal a morrer a pedido dele.

Para 51%, a conduta é moralmente errada, 42% consideram correto, enquanto 4% disseram que depende da situação e 3% não souberam responder.

Influência da religião

A idade e a religião foram os fatores que mais influenciaram nas opiniões sobre a morte assistida.

Os jovens são os que mais aprovam um médico ajudar um paciente terminal a morrer: 63% dos jovens de 16 a 24 anos consideraram a prática moralmente aceitável.

Na faixa etária dos 25 a 34 anos, 48% declararam que a prática é correta. E 43% dos adultos de 35 a 44 anos aprovam o suicídio assistido.

Já entre as gerações mais velhas, poucos são a favor: 38% das pessoas de 45 a 59 anos e 29% dos idosos de 60 anos ou mais.

Em relação à religião, apenas 34% dos evangélicos consideram moralmente correto um médico ajudar um paciente terminal a morrer. 

O percentual entre os católicos é de 41%. Entre entrevistados de outras religiões, a aprovação da prática chega a 46%.

Em contrapartida, 57% das pessoas que não têm religião acham moralmente certo um médico ajudar um paciente terminal a morrer.

No Brasil, a eutanásia não é legalizada. A prática é enquadrada como homicídio pelo Código Penal. 

O suicídio assistido também é proibido e é considerado crime induzir, instigar ou prestar auxílio ao suicídio.

Conforme a pesquisa do Datafolha, 16 países permitem alguma forma de morte assistida: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, França, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai.

Na América Latina, Colômbia, Equador e Uruguai permitem algum tipo de suicídio assistido.

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