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Arqueólogos afirmam ter identificado Betsaida, cidade onde Jesus realizou milagres

Uma década de escavações às margens do Mar da Galileia revelou vila de pescadores e igreja bizantina com referência a Pedro.

fonte: Guiame, Jarbas Aragão

Atualizado: Sexta-feira, 18 Setembro de 2026 as 11:24

Escavações em Betsaida-Julias, às margens do Mar da Galileia; no detalhe, Dr. Steven Notley com parte de um capitel dórico. (Foto: Center for the Study of Ancient Judaism & Christian Origins)
Escavações em Betsaida-Julias, às margens do Mar da Galileia; no detalhe, Dr. Steven Notley com parte de um capitel dórico. (Foto: Center for the Study of Ancient Judaism & Christian Origins)

Uma equipe de arqueólogos israelenses afirma ter identificado uma cidade perdida ligada ao ministério de Jesus Cristo após dez anos de escavações. O diretor acadêmico do projeto diz estar "100% certo" da descoberta.

O Projeto de Escavação El-Araj, liderado por Mordechai Aviam, trabalha em um sítio arqueológico às margens do Mar da Galileia desde 2016. Betsaida, próxima a Cafarnaum, onde Jesus viveu, era o lar dos apóstolos Pedro, André e Filipe. Ali Jesus realizou milagres, incluindo a cura de um cego, em Marcos 8. A primeira multiplicação dos pães e peixes para alimentar 5 mil pessoas ocorreu na região de Betsaida, conforme Lucas 9.

Confirmação após uma década

Ao longo dos últimos dez anos, os pesquisadores encontraram dezenas de evidências de um antigo assentamento judaico de pescadores e de uma cidade do período romano no sítio de El-Araj, também chamado de Betsaida-Julias. Os primeiros documentos apontavam para a “possibilidade” de ser Betsaida.

Porém, em 2026, a escavação abriu novas áreas do local, revelando objetos do período romano e cerâmicas. Os pesquisadores também recuperaram mais de 200 moedas, que estão sendo estudadas para ajudar a datar o assentamento. O anúncio foi feito por Steven Notley, diretor do Projeto de Escavação El-Araj, ao canal Fox News.

Notley, reitor de estudos religiosos no Pillar College, em Nova Jersey, EUA, contou que um incêndio florestal inesperado no ano passado ajudou os pesquisadores a compreender melhor a dimensão do assentamento.

"Tivemos um incêndio florestal que, a princípio, pensamos ser trágico", explica. "Mas o fogo acabou limpando a vegetação rasteira e nos permitiu fazer uma pesquisa mais ampla para determinar o tamanho do assentamento. São pelo menos 60.000 metros quadrados."

Achados notáveis

A equipe descobriu vasos de pedra judaicos, uma casa de banhos romana e estrutura de uma basílica bizantina, com uma inscrição que remete ao apóstolo Pedro. Notley indicou que pesquisadores que buscavam por Betsaida esperavam encontrar evidências de duas coisas: uma vila de pescadores judaica e sua posterior transformação em uma pequena cidade romana.

As escavações em El-Araj revelaram evidências de ambos, incluindo milhares de pesos de chumbo para redes de pesca, vasos de pedra associados ao assentamento judaico e os restos de uma casa de banhos romana.

"Duas coisas que deveríamos encontrar, se estivéssemos escavando, que coincidem com essa identificação são uma vila de pescadores judaica. Felizemnte encontramos amplas evidências disso e evidências de uma pólis, de urbanização", afirmou Notley.

Após uma década de escavações, Notley diz estar agora "100% confiante" de que El-Araj é Betsaida.

A equipe constatou que um proprietário sírio que viveu no período otomano, havia construído suas cocheiras sobre estruturas romanas mais antigas sem utilizar fundações. Essa decisão, surpreendentemente, não resultou em rachaduras ou no desabamento das paredes de pedra até o momento em que a equipe de Bethsaida-Julias as encontrou.

A equipe também desenterrou utensílios de pedra calcária e várias lamparinas herodianas intactas, provavelmente fabricadas em Jerusalém antes do ano 70 d.C.  Elas servem como evidências definitivas de que judeus viviam na cidade no primeiro século, quando Betsaida passou a ser uma polis do período romano chamada Julias, por isso esse nome designa o local.

"Acúmulo de evidências"

Em vez de uma única descoberta que prove a autenticidade do local, Notley disse que a identificação de Betsaida foi realizada ao longo de vários anos de escavação.

"É um acúmulo de evidências que encontramos ao longo do tempo", afirmou. "Desde 2016, não escavamos uma única coisa que desafiasse ou questionasse a identificação do sítio como Betsaida. Pelo contrário, tudo o que encontramos a cada temporada, a evidência fica mais forte, mais forte e mais forte."

Na basílica bizantina, os escavadores acharam uma inscrição que faz referência ao "Chefe dos Apóstolos e Guardião das Chaves do Céu", que tradicionalmente descreveria o apóstolo Pedro. Pesquisadores também encontraram casas do período romano sob a igreja, que tradicionalmente se acreditava ter sido construída sobre a casa de Pedro e André.

"É possível ter certeza absoluta de que é a casa de Pedro? Não posso dizer isso", reconheceu o arqueólogo. "Pelo menos um quarto dos discípulos de Jesus vinha de Betsaida. Então é um local importante em sua vida e ministério."

"Você não vai encontrar uma placa dizendo 'Pedro dormiu aqui, Pedro viveu aqui'. Mas, em termos arqueológicos, é o melhor que se pode conseguir."

Mesmo assim, ele acredita que encontrou, sem sombra de dúvida, o que chama de “a última cidade perdida dos Evangelhos”.

Significado para a fé cristã

Os laços de Betsaida com Jesus são o que tornam a descoberta particularmente significativa.

"Claro, para os cristãos, há várias histórias nos Evangelhos sobre Jesus estando presente em Betsaida", disse Notley. "Pelo menos um quarto dos discípulos de Jesus vem de Betsaida. Então é um sítio importante em sua vida, em seu ministério", acrescentou.

Após uma década de escavações, Notley afirma que ainda há mais a ser descoberto.

"Estou ansioso pelo que está por vir", disse ele. 

 

Com informações da Fox News e NY Post

 

Jarbas Aragão é pastor, jornalista e tradutor. Mestre em teologia, foi missionário da Jocum e da Junta de Missões Mundiais da CBB, além de professor do seminário Batista. Colabora com diferentes mídias no Brasil, nos Estados Unidos e em Israel.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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