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Um não, não te define

Aqui compartilho um pouco dos meus medos de ser rejeitada por causa da minha escrita e de como isso foi superado.

fonte: Guiame, Mari Mendes

Atualizado: Quarta-feira, 15 Abril de 2026 as 3:27

(Foto: Bethany Laird / Unsplash)
(Foto: Bethany Laird / Unsplash)

Eu escrevo há muitos anos. Demorei para entender o mercado de livros, o mercado editorial. Demorei para fazer contatos e amizades, demorei para encontrar meu espaço. Demorei para muitas coisas. Primeiro porque eu achava tudo muito impossível e distante. Segundo, porque eu tinha um medo gigante de ser rejeitada.

Por muitos anos, nem sequer passou pela minha cabeça de enviar meu livro para uma grande editora, eu não teria chance alguma, tinha certeza daquilo. Afinal, quem era eu na fila do pão? Além de pensar que não haveria lugar para mim, existia um sentimento mais secreto do qual eu não ousava falar em voz alta. E se dissessem não?

Na minha cabeça, se eu ouvisse um não, isso significaria o fim da minha carreira. Eu não tinha qualidade, talento, enfim, não era para estar ali, era melhor que eu buscasse outra carreira. Por muito tempo, esse medo ditou a forma que eu lidei com minha escrita. Contudo, quanto mais perto do Pai eu chegava mais eu entendia: aquele não jamais seria capaz de me definir. A rejeição de uma editora nunca teria o poder de alterar a minha identidade ou de classificar o meu trabalho. A escrita sempre foi um presente de Deus. E se eu junto palavras e elas acabam tendo algum sentido é porque o Pai permite, é propósito e vocação que Ele colocou em mim. E somente Ele é que poderia me definir.

Anos depois, eu tive acesso a uma grande editora, pude apresentar meu livro para a pessoa certa. Foi incrível, foi um presente dos céus. E aqui, talvez você pense: uau, ela conseguiu. Não, meus amigos, meses se passaram e eu nunca tive um retorno. Contudo, eu tive dois presentes muito melhores do que qualquer sim que eu pudesse receber.

Primeiro: a pessoa que recebeu minha proposta disse o seguinte “Mari, não importa que resposta você receba, nunca pare de escrever. O que você escreve vem do Senhor, se Ele te entregou é porque Ele quer alcançar pessoas através disso. Então, por favor, não pare.” Essa pessoa não me conhecia, nunca leu nada meu, não sabia dos meus medos e me disse exatamente isso. Para mim, foi um recado direto de Deus.

Segundo: conforme os meses se passaram e nada aconteceu, eu não me senti mal, não desisti de escrever, eu segui. Continuei contente com o que o Senhor me entregava a cada dia. Pronta para viver no anonimato para sempre, se assim Ele quiser. Porque o meu trabalho é para a glória Dele, não para minha. Minha escrita é para mostrar Seu Amor e não meu talento.

Um não jamais terá poder para nos definir, não quando estivermos alinhados com o Pai. Quando colocamos nossos corações, sonhos, projetos e planos em Suas mãos, estaremos seguros sabendo que Ele é quem diz quem somos. Ele nos define, Ele guarda nossa identidade. Ele, somente Ele, terá sempre o melhor caminho para nossa vida e para o nosso eu.

 

Mari Mendes (@marimendesautora) é casada com Leandro, mãe do Pietro e do Luca, escritora de ficção cristã e de bilhetinhos pela casa, tem 3 livros lançados. Filha do Pai e filha de pastor. Apaixonada por livros, por culinária e por observar os detalhes da vida, a fim de enxergar a rotina com novos olhares.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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