Há mulheres que interpretam sofrimento como devoção. Acreditam que quanto mais suportam, mais “provam” amor. Isso não é fé — é distorção emocional mascarada de espiritualidade.
A interpretação equivocada de textos bíblicos leva muitas mulheres a normalizarem negligência, abuso emocional e relações unilateralmente sacrificiais.
Clinicamente, isso não é amor. É dependência emocional, um padrão de fusão psíquica que mina identidade, autonomia e dignidade.
Na Teopsicoterapia, é fundamental separar sacrifício cristão (ato de amor maduro) de autodestruição psíquica (ato de autopunição emocional).
1. A Perspectiva Teológica: O Mandamento que Equilibra Amor e Identidade
O Evangelho não autoriza autoaniquilação:
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Marcos 12:31)
O texto não diz “em vez de ti mesmo”. A base teológica do amor cristão é reciprocidade e autorrespeito.
Quando a mulher se anula para manter o outro, ela deixa de amar de modo cristão e passa a funcionar em fusão patológica.
O Complexo de Messias: Muitas tentam salvar o parceiro de vícios, irresponsabilidades ou caos emocional. Essa postura, vista como “amor sacrificial”, é na verdade usurpação de um papel que não é seu.
Jesus salvou. Você não salva ninguém.
O Evangelho não exige que você se destrua para sustentar o desequilíbrio de outro adulto.
2. O Diagnóstico Psicanalítico: A Estrutura Codependente
A pergunta clínica é simples: Por que permanecer num vínculo que machuca?
Porque a dependência emocional organiza a vida em torno da ilusão de indispensabilidade.
O Mecanismo: A mulher que ama demais costuma escolher parceiros emocionalmente frágeis, caóticos ou indiferentes. Ela se sente “necessária” — e isso mascara suas próprias feridas narcísicas.
Função Psíquica: Enquanto ela cuida das crises do outro, ela evita olhar para:
- seu vazio,
- sua carência,
- sua solidão,
- suas próprias partes fraturadas.
O drama dele funciona como analgésico para a dor dela.
Ganho secundário: Sentir-se “a única que aguenta” cria a sensação ilusória de valor — ao mesmo tempo em que destrói sua autoestima real.
É uma forma sofisticada de autoabandono.
3. A Prática Teopsicoterapêutica: O “Não” que Restaura
A cura da co-dependência passa obrigatoriamente pelo limite. Limite não é frieza; é organização psíquica.
Cristãos confundem limite com egoísmo, mas limite é o mecanismo de proteção da identidade emocional e espiritual.
Ação Clínica Direta:
Pare de amortecer as quedas do outro. Permita que ele enfrente suas consequências. Ajudar não é carregar o que é responsabilidade dele.
Reposicionamento Teopsicoterapêutico:
O “não” a abusos, manipulações ou dependência unilateral é um “sim” à dignidade, ao autocuidado e ao cumprimento do mandamento de amar-se.
Amar não é desaparecer. Amar é ter estrutura, e compartilhar essa estrutura com alguém que também esteja se responsabilizando pela sua.
Você sente que está mendigando afeto?
Se você dá tudo, recebe migalhas e teme desmoronar se ficar sozinha, isso não é amor.
É vínculo de sobrevivência psíquica — e precisa ser tratado.
A Teopsicoterapia trabalha para:
- fortalecer o seu Eu,
- reestruturar limites,
- tratar a raiz da carência,
- e restaurar sua capacidade de se relacionar por escolha, não por dependência.
Agende sua sessão e comece a reconstruir sua identidade hoje mesmo. Estou a sua disposição, para atendimentos presenciais e On-Line, entre em contato comigo.
Néia Leite (@pastoraneialeite) Psicanalista, Teoterapeuta e Pastora. Atendimento de mulheres. Pós-graduada Teopsicoterapia, MBA em Teoterapia. Autora dos livros "Vencendo o Mal com a Palavra de Deus" e "Sobre Elas". Trabalha profissionalmente no atendimento individual Teoterapêutico e grupos para mulheres. Atendimento presencial e On-Line.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: Inteligência emocional feminina: TPM, hormônios e espiritualidade