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O perigo do pai/mãe “perfeitos”: Por que ser “suficientemente bom” é o que cura

Buscar perfeição não só é impossível — é prejudicial ao seu equilíbrio emocional e ao desenvolvimento dos seus filhos.

fonte: Guiame, Valcelí Leite

Atualizado: Quarta-feira, 11 Fevereiro de 2026 as 1:24

(Foto: Tá Focando/Unsplash)
(Foto: Tá Focando/Unsplash)

Você já se percebeu carregando culpa por perder a paciência, esquecer algo importante ou simplesmente estar esgotado? Vivemos sob a pressão silenciosa das redes sociais, que fabricam a imagem da família ideal: pais sempre equilibrados, filhos impecáveis, rotina organizada. Essa comparação constante está adoecendo muitos lares cristãos e gerando um ciclo de autocobrança que destrói a espontaneidade da parentalidade.

Mas aqui está a verdade clínica e espiritual: buscar perfeição não só é impossível — é prejudicial ao seu equilíbrio emocional e ao desenvolvimento dos seus filhos.

1. A Perspectiva Teológica: A Graça Sustenta os Imperfeitos

A Bíblia não apresenta modelos de famílias perfeitas, mas de famílias reais.

Jacó cria rivalidades profundas ao privilegiar José.

Davi enfrenta um cenário familiar marcado por conflitos intensos.

Eli falha na correção e formação emocional dos filhos.

Nenhum deles corresponde ao ideal romantizado da “família perfeita”.
E Deus não exige isso.

A Graça não é para quem acerta sempre. É para quem reconhece limites, busca sabedoria e depende do Senhor. No campo teológico, a busca pela perfeição é uma tentativa orgulhosa de viver sem Graça — e isso gera esgotamento emocional.

2. O Conceito Clínico: A “Mãe Suficientemente Boa” Segundo Winnicott

Donald Winnicott apresentou um dos conceitos mais libertadores da psicanálise: a mãe (ou pai) suficientemente bom.

Ser perfeito não educa. Ser perfeito sufoca.

A criança precisa de pequenas frustrações para amadurecer, compreender limites, tolerar a realidade e construir recursos internos. Pais que tentam atender tudo, o tempo inteiro, impedem esse processo e criam um ambiente ansioso, rígido e idealizado.

Quando você se permite ser humano — presente, amoroso, mas não impecável — você cria um lar emocionalmente respirável.
E, implicitamente, reforça: "Você pode ser humano também."

Isso é saúde psíquica.

3. A Prática Teopsicoterapêutica: A Vulnerabilidade Ensina o Evangelho

Há um mito comum: pedir perdão aos filhos seria fragilizar a autoridade.
Clinicamente e espiritualmente, ocorre o oposto.

Na Teopsicoterapia, a vulnerabilidade responsável é um recurso terapêutico de alto impacto.

Quando um pai ou mãe, após errar, diz com clareza:
“Filho, eu errei. Eu não deveria ter falado daquela forma. Você me perdoa?” você está ensinando:

Humildade;

Regulação emocional;

Cultura de restauração e não de perfeição.

Isso fortalece o vínculo, desmonta fantasias de idealização e cria um ambiente onde o Evangelho é vivido, não apenas ensinado.

Seu filho não precisa de um modelo inatingível. Ele precisa de alguém real, presente e disposto a reparar quando falha.

Alivie o Peso: Você Não Precisa Ser Perfeito

Se a culpa parental está drenando sua alegria, se você se sente sempre devendo, se a pressão por acertar em tudo está se tornando insustentável — há caminho.

A Teopsicoterapia ajuda pais a regularem expectativas irreais, integrarem fé e saúde emocional e desenvolverem um estilo parental saudável e possível.

Seu filho não precisa de um pai ou uma mãe perfeitos. Precisa de você — suficientemente bom e espiritualmente consciente.

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Desejo a você e sua família uma semana na Graça.

 

Valcelí Leite (@ValceliLeite) é Psicanalista, Teoterapeuta (Terapia Cristã), Pastor, presidente da ABRATHEO, Pós-graduado: Terapia Familiar Sistêmica, T.C.C. e com MBA em Teoterapia. Teopsicoterapeuta com orientação a indivíduos, casais e famílias. Atendimento presencial e On-Line. Palestrante sobre temas de Autoconhecimento.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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