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Líderes de mais de 100 países debatem antissemitismo em Genebra

Declaração conjunta em Genebra alerta que o antissemitismo ameaça democracias e sociedades livres.

fonte: Silas Anastácio

Atualizado: Terça-feira, 19 Maio de 2026 as 2:32

(Foto: Congresso Judaico Latino-Americano / Silvia Perlov)
(Foto: Congresso Judaico Latino-Americano / Silvia Perlov)

O Congresso Judaico Mundial realizou, entre os dias 10 e 12 de maio, em Genebra, sua reunião de diretoria.

Ao completar 90 anos de atuação, líderes e representantes de mais de 100 países manifestaram profunda preocupação com o crescente antissemitismo em escala global, tema que norteou os debates do encontro.

Para Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, encontros como esse têm a função de inspirar lideranças na tomada de decisões, além de possibilitar o compartilhamento de preocupações com autoridades políticas e órgãos de segurança.

“Esse é um tema extremamente sensível e relevante para nós, judeus, mas também para outras minorias, já que o ódio direcionado a um grupo pode rapidamente se expandir para outros”, declarou.

Reafirmando o compromisso com a proteção da vida judaica e o enfrentamento do antissemitismo em todas as suas formas, 32 enviados especiais e coordenadores de combate ao antissemitismo, provenientes de mais de duas dezenas de países e organizações internacionais, entre eles o brasileiro Fernando Lottenberg, comissário para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo da Organização dos Estados Americanos, emitiram uma declaração conjunta.

Segundo Lottenberg, essa foi uma importante oportunidade promovida pelo Congresso Judaico Mundial. “Ouvimos diferentes pontos de vista e trocamos experiências”, afirmou. Ele acrescentou: “Ainda que os incidentes tenham diminuído em relação a 2023, ainda temos um número alto de ocorrências”.

O documento alerta que o antissemitismo deixou de ser um fenômeno pontual para se tornar uma crescente ameaça global, afetando não apenas as comunidades judaicas, mas também os valores democráticos e os fundamentos das sociedades livres.

(Foto: Congresso Judaico Latino-Americano / Silvia Perlov)

Os signatários defenderam o fortalecimento da segurança das comunidades judaicas, a responsabilização dos autores de atos antissemitas, a ampliação da educação sobre o Holocausto e a coordenação internacional de iniciativas voltadas ao combate da disseminação do ódio antissemita, tanto no ambiente online quanto offline.

Cabe destacar que a declaração enfatiza que, apesar das diferenças políticas e das distintas abordagens nacionais, as nações democráticas permanecem unidas no entendimento de que o antissemitismo não pode ser tolerado: em nenhum lugar, em nenhum momento e sob nenhum pretexto.

A declaração foi emitida em Genebra, durante a reunião da rede de Enviados Especiais e Coordenadores para o Combate ao Antissemitismo (SECCA).

O Brasil também esteve representado por Chella Safra, chair do Congresso Judaico Mundial, e por Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil e comissário para o Combate ao Antissemitismo do Congresso Judaico Mundial.

Lottenberg, que participou do encontro a convite do Congresso Judaico Latino-Americano, afirmou: “Esse foi um encontro do mais alto nível, que mostra a importância de que o combate ao antissemitismo seja realizado dentro de estruturas comunitárias, com organizações que abracem a luta pelos direitos humanos de forma multilateral e interinstitucional”.

Participaram também os diretores-executivos da Confederação Israelita do Brasil, Sergio Napchan e Claudio Epelman, este último representante do Congresso Judaico Latino-Americano.

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