Nesta semana foi lembrado o Dia da Memória do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro. A data marca a libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz, em 1945, onde mais de um milhão de pessoas morreram, a maioria judeus.
Em meio aos horrores do regime nazista, uma história pouco conhecida chama atenção — um rabino judeu que acreditava que Jesus é o Messias teve papel decisivo para salvar cerca de 50 mil judeus da morte durante o Holocausto, na Bulgária.
Durante os anos em que Adolf Hitler promovia o extermínio sistemático do povo judeu na Europa, o rabino Daniel Zion, que havia se tornado um seguidor messiânico de Jesus (Yeshua), levantou sua voz em defesa da vida e da justiça.
Segundo o autor Avi Mizrachi, Daniel Zion e outros líderes tomaram uma atitude ousada ao irem diretamente ao rei da Bulgária.
“Eles foram falar com o próprio rei. O rabino Daniel Zion entregou uma carta e disse algo como: ‘Se o senhor entregar os 50 mil judeus a Hitler, um dia estará diante de Deus, e o sangue deles estará em suas mãos. É assim que o senhor será lembrado’”, relatou.
De acordo com Mizrachi, essa confrontação trouxe temor a Deus ao governo búlgaro e ao próprio rei, impedindo que os judeus do país fossem deportados para os campos de extermínio nazistas.
Essa história impressionante é contada no livro “Legacy of Hope” (“Legado de Esperança”). Hoje, Mizrachi e sua filha, D’vora, veem esse testemunho gerar frutos dentro de Israel.
Testemunho para os judeus
D’vora explica que a história de Daniel Zion abre portas para compartilhar o Evangelho com o povo judeu.
“Aqui temos um herói do nosso povo, alguém que fez algo grandioso. Salvar 50 mil judeus não é pouca coisa. Ele era judeu e também acreditava no Messias, Yeshua”, afirmou.
Ela destaca que isso ajuda muitos judeus e israelenses a se identificarem com a história. “Eles veem alguém que fez muito pelo nosso povo e continuou sendo judeu. Ele imigrou para Israel, fez parte da terra e do povo. Esse é um dos maiores testemunhos que podemos oferecer”, disse.
Para Avi Mizrachi, o testemunho também mostra que fé em Jesus não anula a identidade judaica. “É uma grande oportunidade para mostrar aos nossos amigos israelenses que é possível ser judeu, até mesmo um rabino ortodoxo, e ainda assim crer em Yeshua, porque Ele é a única esperança”, afirmou.
Ele acrescenta que, quando judeus messiânicos e cristãos caminham juntos, podem se unir contra o mal. “Juntos, podemos resistir ao mal e vencê-lo em um tempo como este.”
Luta contra o antissemitismo
A mensagem do livro ganha ainda mais relevância em um momento de crescimento do antissemitismo em várias partes do mundo.
Cidades como Manchester, Washington e Sydney têm registrado episódios de ódio e violência contra judeus.
Diante disso, a CBN News perguntou o que os cristãos podem aprender com essa história. D’vora respondeu que o principal ensinamento é não se calar. “Eles não desistiram. Oraram, acolheram judeus em suas casas e igrejas e agiram de forma prática para salvá-los”, afirmou.
Ela concluiu com um apelo: “Talvez, por meio das nossas atitudes, eles vejam o Messias e o véu seja removido. É justamente agora que precisamos nos posicionar ao lado do povo judeu — quando é difícil, quando há perseguição.”
“Até mesmo correndo riscos, porque sabemos que o povo judeu faz parte do grande plano de Deus. E, se queremos fazer parte desse plano, precisamos estar dispostos a agir também.”