Refém libertada conta o terror que sofreu no cativeiro do Hamas: “Orava o tempo todo”

Ilana Gritzewsky, de 31 anos, enfrentou violência, tortura e más condições durante 55 dias como refém dos terroristas.

fonte: Guiame, com informações de Inteligência Ltda. Podcast

Atualizado: Quarta-feira, 26 Fevereiro de 2025 as 5:20

Ilana Gritzewsky. (Foto: Reprodução/YouTube/Inteligência Ltda. Podcast).
Ilana Gritzewsky. (Foto: Reprodução/YouTube/Inteligência Ltda. Podcast).

A israelense-mexicana Ilana Gritzewsky, de 31 anos, contou o terror que viveu como refém durante os 55 dias de cativeiro em Gaza, em entrevista ao Inteligência Ltda. Podcast, em Israel, no mês passado.

Junto com seu namorado, Ilana foi sequestrada pelo grupo terrorista Hamas no Kibutz Nir Oz, durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

Ela foi libertada em novembro de 2023. Seu namorado e seus amigos do Kibutz onde mora ainda estão em cativeiro.

O pior pesadelo de sua vida

Ilana relembrou como iniciou o pior pesadelo de sua vida depois de acordar no dia 7 de outubro de 2023.

“Eu estava tomando café, me preparando para passear com meu cachorro, quando começaram a  soar os alarmes. Na nossa região, estamos acostumados com mísseis e outros tipos de ameaças contra nós. Mas desta vez foi diferente”, contou ela.

“Era um alarme atrás do outro. Então, eu corri para o meu quarto e chamei o meu namorado e disse: ‘Acorda Matan, há muitos alarmes, vamos verificar o que está acontecendo”.

Após cerca de 10 minutos, a israelense começou a escutar gritos em árabe e disparos. Então, ela e o namorado fecharam toda a casa e se refugiaram no abrigo antibomba da casa.

“Eu estava sentada no chão, tranquilizando o meu cachorro para que ele não fizesse ruído”, lembrou.

Ao checar os grupos online do Kibutz, a mulher soube que estava acontecendo diversos ataques na região, que os terroristas haviam cercado todos os lados do Kibutz e estavam entrando de casa em casa.

“Ninguém vinha nos resgatar. Era uma roleta-russa, estávamos esperando chegar a nossa vez”, comentou Ilana.

Depois de três horas, os terroristas chegaram a sua casa. “Entraram e começaram a quebrar tudo, a disparar, até que conseguiram forçar a porta do abrigo. Eu e meu namorado saímos pela janela e corremos. Mas não havia nada que pudéssemos fazer, todos os terroristas estavam ali em volta”, relatou.

“A enfermaria do Kibutz estava em chamas, as casas estavam queimando, tudo estava ardendo em fogo”.

Em seguida, seu namorado correu para outro lado e chamou Ilana. Mas, ela entrou em estado de choque e paralisou. “Foi a última vez que a gente se viu”, observou.

Torturada a caminho de Gaza

Pouco depois, a israelense foi capturada pelos terroristas do Hamas. “Me agarraram pelo cabelo, me deram uma joelhada no estômago, me tirando o ar. Começaram a me arrastar pelo piso. Quando me levantei, eles me jogaram contra a parede, me ameaçaram com as armas”, disse.

Ilana foi colocada em uma moto, no meio de dois terroristas, que a levaram embora. “Cobriram a minha cabeça com um plástico para que eu não pudesse respirar, enquanto me enforcavam pela garganta. Iam me queimando a perna com o escapamento da moto”, afirmou.

Ilana ainda teve a mandíbula deslocada e o quadril rompido pelos sequestradores. “Todo o caminho foram me dando golpes e me apalpando”, denunciou.

“Acordei quase nua com 15 terroristas em cima de mim”

Então, ela perdeu a consciência e quando acordou estava no cativeiro do Hamas. “Eu estava no chão, quase nua, com 15 terroristas em cima de mim, que me despertaram com perfume no nariz e golpes na cara”, descreveu.

Um dos terroristas lhe disse: “Bem-vinda a sua nova vida em Gaza”. “Eu não tinha forças nem para me mexer. Estava menstruada e tive que pedir um absorvente. Eu vomitei desde aquele momento até o dia de hoje, eu continuo vomitando”, afirmou Ilana.

Logo depois, a refém foi transferida para diversos lugares. Em um desses locais, um terrorista a abraçou e lhe fez carinho.

“Ele disse que eu era muito bonita, que iria casar comigo e iríamos formar uma família, que eu não ia sair e eu seria sua mulher”, lembrou ela.

“Era só eu de mulher com dois terroristas no quarto, sem saber se eu era a única sequestrada, sem saber o que estava acontecendo com meu namorado. Não sabia o que ia acontecer com minha vida, se iam me matar ou me estuprar a qualquer momento”, pontuou.

Condições precárias

Ilana Gritzewsky ainda revelou que as condições no cativeiro eram precárias. Ela ficou sem poder tomar banho por 45 dias, usava a mesma roupa e não recebeu cuidados médicos para tratar os seus ferimentos.

“Eu vomitava muito, não tínhamos muita água, às vezes meio litro para todo o dia. Havia dias que eu recebia um prato pequeno de grão de bico para 48 horas. Eu perdi 11 quilos em 55 dias. O tempo todo estávamos sentados no chão, sem poder se mover e falar”, disse.

A israelense chegou a pensar que a morte seria a melhor saída para escapar daquela situação de completo terror 24 horas por dia.

“Houve uma vez, que eu me tranquei no banheiro e eu não conseguia parar de chorar. A única coisa que se passava pela minha cabeça é que se essa seria a minha vida, eu preferia quebrar a minha cabeça na pia”, confessou.

Não perdendo a esperança

A israelense contou que não perdeu a esperança ao pensar em sua família. “O tempo todo eu rezava e dizia: ‘Deus, escuta a voz da minha mãe e da minha vó, e nos tira daqui”, afirmou.

“Você foca nisso: não se deixar vencer porque sua família está te esperando. Mas a esperança era tão fininha, que se rompia e voltava. Foi difícil manter a fé viva por tanto tempo”, ressaltou.

A mulher enfrentou a apreensão e a tensão a todo momento enquanto estava cativa em Gaza. “Senti medo de ser o último momento da minha vida. Esse medo continua agora que já estou libertada”, observou.

“Meu corpo está livre, mas minha alma ficou enterrada nos túneis”

Após enfrentar o terror em casas e túneis do Hamas, Ilana foi libertada em novembro de 2023. Hoje, ela enfrenta traumas e a dor de saber que seu namorado ainda está no cativeiro.

“Começou a minha nova luta, porque meu corpo está livre, mas minha alma ficou enterrada lá nos túneis com meu namorado e meus amigos do Kibutz”, lamentou.

Desde então, a israelense tem compartilhado sua luta pela sobrevivência para ajudar na libertação dos reféns que permanecem em Gaza. “Tenho pesadelos à noite, eu não como e não durmo”, destacou.

A mulher tem recebido acompanhamento profissional para lidar com os traumas emocionais e as dores no quadril.

“Não vou poder me reabilitar, não posso processar tudo o que eu passei, até que todos os reféns sejam liberados. Sou uma mulher muito forte, vou continuar levantando a voz contra o terrorismo e em favor da libertação dos reféns. Minha história não é só de sofrimento, mas de fé e amor”, enfatizou Ilana.

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