Cristãos que sobreviveram a um ataque do Boko Haram relataram que decidiram perdoar os terroristas que assassinaram sua família e os deixaram com cicatrizes permanentes.
“Estávamos na nossa cidade quando, de repente, o Boko Haram nos atacou à noite. Então começamos a correr. Minha mãe segurou minha mão enquanto corríamos”, disse Nancy ao Global Christian Relief.
Apesar das marcas físicas e emocionais deixadas pelo ataque, Nancy e seu irmão, Filemon, afirmam que decidiram perdoar o terrorista responsável pela morte de seus familiares e pelas agressões que sofreram, baseando-se no ensinamento de Jesus registrado na passagem bíblica de Mateus 5:44, que diz: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”.
Durante a invasão dos terroristas, moradores da aldeia fugiram em diferentes direções. Nancy e o irmão escaparam com a mãe, enquanto o pai tentou sair por outro caminho, mas não sobreviveu.
A morte da família
Após o ataque, a família buscou refúgio em Camarões, onde passou a viver como refugiada. No país, a mãe foi forçada a se casar com um homem que, posteriormente, revelou ter ligação com o Boko Haram.
Tempos depois, a mulher deu à luz mais dois filhos e o marido se tornou violento e passou a agredi-la com frequência. Então, ela decidiu retornar à Nigéria com os filhos e buscar abrigo na casa do irmão.
No entanto, o terrorista a localizou e voltou a atacá-la. Após anos de abusos, a mãe de Nancy e Philemon entrou com um processo judicial, onde um juiz declarou que seu casamento era inválido e proibiu o homem de se aproximar da família.
Mesmo assim, naquela noite, ele retornou à casa onde estavam hospedados e ateou fogo. Segundo o Global Christian Relief, o terrorista empurrou de volta para as chamas qualquer um que tentasse escapar.
“Quando ele ateou fogo em nós, depois de algum tempo, as pessoas vieram nos resgatar e nos levaram para o hospital”, relembrou Nancy.
E continuou: “Fomos levadas a cinco hospitais diferentes antes de sermos aceitas por alguns médicos que disseram que poderiam cuidar do nosso caso. Minha irmã mais nova morreu a caminho do hospital. Já meu irmão caçula morreu no hospital depois de algumas semanas. Minha mãe passou um mês recebendo tratamento e depois faleceu”.
‘Devemos perdoar a todos’
Nancy passou três meses acamada e chegou a pensar que não iria se recuperar. Com a ajuda de vizinhos, que custearam o tratamento, ela e Filemon conseguiram sobreviver.
Órfãos, os dois passaram a viver em um campo de deslocados internos, onde vítimas de perseguição buscam segurança.
“Nossos corpos ainda não estão totalmente curados. Ainda dói”, relatou Nancy. E Filemon acrescentou: "Sempre que trabalho no sol, ainda sinto dor".
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Mesmo após a recuperação, os irmãos ainda sentem dores. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
No entanto, eles não deixam de agradecer a Deus por suas vidas: “Agradeço a Deus por me manter vivo. Tudo o que posso fazer é agradecer”, afirmou Filemon.
“Somos gratos a Deus por nos salvar. Aqui estamos, vivos, embora nunca tenhamos pensado que sobreviveríamos. Aqui estamos, curados por Ele, e agora podemos até trabalhar um pouco. Somos gratos a Deus, nossa gratidão não tem limites”, destacou Nancy.
À medida que meditavam na Bíblia, os irmãos decidiram colocar em prática os mandamentos de Jesus e perdoar os terroristas:
“Deus disse que devemos perdoar a todos, e se não perdoarmos a todos, não o veremos. É por isso que sinto que devo perdoá-los. Deus Todo-Poderoso disse que, antes de entrarmos no paraíso, devemos perdoar a todos, setenta e sete vezes”, concluiu Filemon.