A população em Cuba está enfrentando uma crise econômica e o aumento da fome, no último ano, segundo o Christianity Today.
O cristão cubano Moisés Pérez Padrón afirmou que nunca presenciou uma crise tão grande como a atual.
"As ruas estão cheias de lixo. Você vê crianças e idosos procurando comida ou algo que possam vender entre o lixo. Quedas de energia duram mais de 12 horas por dia, e famílias estão destruindo móveis em suas casas só para usar a lenha para cozinhar”, contou Moisés, que é diretor da Trans World Radio (TWR) em Cuba, em entrevista ao Christianity Today.
O país comunista ainda enfrenta a falta de combustível, após o presidente americano Donald Trump emitir uma ordem em janeiro, determinando sanções a qualquer país que envie petróleo para Cuba, em uma tentativa de forçar o governo cubano a realizar reformas políticas e econômicas.
Além disso, a população ainda se recupera da destruição causada pelo furacão Melissa que atingiu todo o país e deslocou mais de 735 mil pessoas.
Em meio a crise, igrejas e ministérios se mobilizaram para fornecer ajuda humanitária aos cubanos.
A missão americana Mennonite Central Committee (MCC), que atua em Cuba há 43 anos em parceria com igrejas locais, enviou seis contêineres com itens básicos.
As doações incluíam carne enlatada, kits de emergência, produtos de higiene feminina, kits de cuidados infantis, material escolar, sabão para roupas e lençois.
Distribuindo suprimentos em carroças
Jacob Lesniewski, codiretor regional da MCC na América do Sul, afirmou que a situação de Cuba é de partir o coração.
"Quando você chega em Havana, dá para perceber que algo não está certo", disse ele, se referindo às ruas cheias de lixo e falta de combustível nos postos de gasolina.
"Mas não é nada comparado ao que você começa a ver conforme viaja mais para o leste. Cidades inteiras parecem cidades fantasmas. Há fábricas, escolas e hospitais que já funcionaram, mas agora estão vazios e severamente deteriorados”, relatou.
Por causa da escassez e alto preço da gasolina, as igrejas não puderam distribuir os suprimentos com caminhões e tiveram que usar carroças puxadas por cavalos.
As igrejas evangélicas em Cuba se tornaram conhecidas por seu trabalho social em meio a furacões e crises econômicas.
"Em um país onde o Estado não pode mais fornecer serviços básicos como saúde e educação, as igrejas se tornaram espaços essenciais para a sociedade — não apenas para receber ajuda humanitária ou conforto espiritual, mas também para construir comunidade", observou Mayra Espino, socióloga e pesquisadora do Christian Center for Reflection and Dialogue.
Perseguição em Cuba
Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, cerca de 85% dos cubanos se identificam como cristãos. A maioria é católica e cerca de 11% são evangélicos.
No país comunista, os cristãos enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Participar de cultos é permitido, mas novas igrejas não podem ser abertas.
"Você pode ir às igrejas, elas estão abertas, e o governo sabe onde elas estão. Não há impedimento para realizar cultos nessas igrejas aos domingos. Mas o verdadeiro problema em Cuba em relação à expressão religiosa é que o espaço é limitado. Você não pode simplesmente construir uma nova igreja”, explicou Moisés Pérez.
Diante da repressão, milhares de seguidores de Jesus têm encontrado abrigo espiritual nas chamadas igrejas domésticas.
Mesmo sob vigilância constante, essas pequenas comunidades continuam a se multiplicar e se tornam fundamentais para manter viva a fé na ilha.
As igrejas domésticas são grupos cristãos que se reúnem para realizar cultos dentro das casas de pastores ou de membros da comunidade.
De acordo com dados da associação ASCE Cuba, há entre 20 mil e 30 mil dessas igrejas ativas no país. Elas funcionam sem placas, sem autorização oficial e, muitas vezes, enfrentam o constante risco de repressão governamental.
Cuba ocupa o 24° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.