Dezenas de moradores muçulmanos, acompanhados pela polícia e por um funcionário do governo local, interromperam uma reforma no telhado de uma igreja na Indonésia.
O caso ocorreu no dia 1 de março na aldeia de Kulim Jaya, no subdistrito de Lubuk Batu Jaya, na província de Riau, na ilha de Sumatra, onde membros da Igreja Cristã Protestante Batak (HKBP) realizavam reformas na congregação.
Segundo o Morning Star News, cerca de 70 moradores muçulmanos foram até o local e exigiram que a obra fosse interrompida até que a igreja apresentasse uma autorização formal.
Pelo menos 20 deles entraram no templo durante os trabalhos, acompanhados por policiais e pelo chefe do subdistrito, alegando que a reforma só poderia continuar após a apresentação das licenças.
No entanto, os cristãos afirmaram que a reforma era necessária porque o telhado estava com goteiras, impedindo a realização dos cultos.
‘Verificação de documentação’
O chefe do subdistrito de Lubuk Batu Raya, identificado como Armin, disse que a situação não se tratou de uma invasão, mas de uma “verificação da documentação”. Segundo ele, os moradores pediram que as licenças fossem apresentadas antes da continuidade das obras.
De acordo com o pastor Faber Manurung, o prédio de madeira da igreja, construído em 1995, apresenta sérios danos e não é mais seguro.
“As tábuas da igreja estavam podres e se desfazendo, o telhado tinha goteiras e era completamente inadequado e desconfortável para o culto. Decidimos, em fevereiro deste ano, reformar o prédio da HKBP Kulim Jaya”, declarou o pastor.
Embora a igreja esteja registrada no Ministério de Assuntos Religiosos da Indonésia e possua documentação legal, líderes locais afirmam que as reformas e construções de templos cristãos frequentemente enfrentam resistência de comunidades em regiões de maioria muçulmana.
Os líderes da igreja tentam realizar reformas no local desde 2010, mas moradores da região têm impedido as obras.
Violações à liberdade religiosa
O Conselho Central de Liderança do Movimento Cristão da Juventude Indonésia condenou as ações dos muçulmanos que bloquearam a reforma na igreja.
“Lamentamos que essas ações levem à coerção e intimidação de membros da igreja que estão simplesmente exercendo seu direito de praticar sua religião”, disse Sahat Sinurat, presidente do Conselho Executivo Central da GAMKI.
O Movimento Indonésia para Todos (PIS), organização que defende a democracia no país, afirmou em 3 de março, em uma publicação no TikTok, que casos de violação à liberdade religiosa são recorrentes.
“E o padrão é o mesmo. Quando as igrejas querem construir ou reformar seus templos, as desculpas geralmente se relacionam a licenças e aprovação da comunidade. E, na prática, os problemas são longos e tediosos, mesmo que a constituição garanta o culto religioso”, relatou Rizka Putri Abner, da PIS.
De acordo com Rizka, o Instituto Setara para a Democracia e a Paz registrou 260 casos de violações à liberdade religiosa em 2025 e 402 em 2024.
Já a Comissão para Pessoas Desaparecidas e Vítimas de Violência (Kontras), organização de direitos humanos, documentou 260 incidentes e 42 atos de violação entre dezembro de 2024 e novembro de 2025.
No mesmo período, o grupo Impartial identificou 13 casos entre dezembro de 2024 e julho de 2025, enquanto a Coalizão para a Defesa da Liberdade de Religião e Crença registrou 183 ocorrências em 2025.
A missão Portas Abertas informou que, nos últimos anos, a sociedade tem adotado um caráter islâmico mais conservador no país, e igrejas envolvidas em atividades evangelísticas correm o risco de se tornar alvo de grupos extremistas islâmicos.