Seis pastores são condenados à prisão após falsa acusação de conversão forçada na Índia

Os líderes foram condenados, sem provas, de forçar convidados de uma aniversário a se converterem ao cristianismo.

fonte: Guiame

Atualizado: Terça-feira, 4 Agosto de 2026 as 4:58

Imagem ilustrativa. (Foto: Pexels/Cetin Kaya).
Imagem ilustrativa. (Foto: Pexels/Cetin Kaya).

Seis pastores e um cristão foram condenados à prisão após enfrentarem falsas acusações de conversão forçada, na Índia.

Segundo a International Christian Concern (ICC), um tribunal no estado de Madhya Pradesh considerou os cristãos culpados por obrigarem pessoas a se converterem ao cristianismo durante uma festa de aniversário.

O caso começou em abril de 2024, quando uma multidão de cerca de 100 hindus radicais cercou a casa de uma família cristã que estava reunida com amigos e parentes para um aniversário, em uma vila do distrito de Dindori.

Os cristãos Amit Kumar, Chhot Singh Dhurve, Jeet Singh Dhurve, Karan Singh Maravi, Pramod, Sanjay Markam e Santosh Paraste estavam presentes e foram acusados pelos hindus de converterem os presentes à força, sob o pretexto de uma festa de aniversário.

A multidão, liderada por um vizinho, prendeu os convidados dentro da residência e gritou ameaças.

O dono da casa, o cristão Suday Singh Maravi, chamou a polícia, porém os oficiais levaram os sete cristãos presos ao invés dos agressores.

Na audiência do caso, Suday testemunhou a favor dos seis pastores e do cristão, relatando que os homens eram seus convidados e que nenhuma conversão religiosa havia ocorrido no aniversário.

Entretanto, a promotoria alegou que os cristãos tentaram persuadir os presentes a se converterem à fé cristã em troca de dinheiro.

Após uma batalha judicial de dois anos, os crentes foram condenados à 5 anos de prisão e à trabalhos forçados cada um, sob as leis anti-conversão do estado. Eles também receberam uma multa de mais de 1.000 dólares.

Igrejas sem pastor

A prisão dos pastores atingiu igrejas em seis vilarejos diferentes. Sem liderança, as congregações ficaram sem apoio pastoral e foram obrigadas a fechar.

As famílias dos sete cristãos também foram afetadas, porque os homens eram os principais provedores de suas esposas e filhos, que agora estão em dificuldade financeira.

Sobre as leis anticonversão na Índia

Em toda a Índia, falsas acusações de conversões forçadas em massa são usadas para justificar a criação de leis que limitam a liberdade religiosa e provocam a perseguição contra as minorias religiosas, como os cristãos.

As leis anticonversão existem desde 1967 nos estados na Índia. Hoje, alguns estados continuam aprovando esse tipo de lei que vai contra a liberdade religiosa, assegurada pelo artigo 25 da própria constituição do país.

Esse tipo de legislação tem o objetivo de coibir tentativas conversões e casamentos interreligiosos por meios forçados ou fraudulentos, ou por aliciamento ou indução.

Segundo a International Christian Concern (ICC), caso uma pessoa queira se converter a uma nova religião, a lei obriga que o convertido e o seu líder religioso precisam apresentar um requerimento à administração central distrital, com 60 dias de antecedência. O não cumprimento desta lei pode acarretar em prisão ou multas.

Com a aprovação de leis anticonversão em diversos estados da Índia, nacionalistas radicais são encorajados a espalhar falsas acusações de conversão forçada por parte de cristãos, com o propósito de justificar sua violência contra os crentes, sem intervenção da polícia local.

A Índia ocupa a 14° posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas de países mais difíceis para ser cristão.

veja também