Organizações de defesa da liberdade religiosa estão mobilizando cristãos ao redor do mundo pela libertação de Suleiman Khalil, ex-prefeito de uma cidade cristã na Síria, que está preso há mais de 18 meses sem ter sido formalmente acusado de nenhum crime.
Khalil, de 52 anos, foi detido em sua casa na cidade de Sadad, em 8 de fevereiro de 2025. Desde então, segundo organizações que acompanham o caso, ele não teve acesso a um advogado nem às provas que justificariam sua prisão.
A Christian Solidarity International (CSI) lançou uma campanha internacional pedindo sua libertação e disponibilizou uma iniciativa para que apoiadores enviem mensagens às autoridades sírias.
De acordo com a organização, cristãos sírios têm enfrentado ataques, prisões, extorsões e sequestros desde a mudança de poder no país.
Defensores da liberdade religiosa acreditam que a prisão de Khalil pode estar relacionada à atuação dele na defesa de Sadad contra grupos extremistas.
Defesa de cidade cristã
Khalil foi prefeito de Sadad entre 2012 e 2016, período em que a histórica cidade de maioria cristã enfrentou ataques de grupos jihadistas.
Em outubro de 2013, combatentes liderados pela Frente al-Nusra, então ligada à Al-Qaeda, ocuparam a cidade durante cerca de uma semana. Segundo o Christian Post, 41 civis cristãos foram mortos durante a ofensiva.
Dois anos depois, em 2015, o Estado Islâmico (ISIS) avançou contra a região. Como prefeito, Khalil ajudou a organizar a defesa de Sadad, ação que, segundo organizações cristãs, contribuiu para impedir que a cidade caísse nas mãos dos terroristas e evitou um possível massacre de moradores.
Por sua atuação naquele período, Khalil passou a ser considerado um herói por moradores da cidade.
A família afirma que ele é integrante do Partido Social Nacionalista Sírio, mas que não participou pessoalmente das operações de combate. Em 2016, ainda durante o governo de Bashar al-Assad, Khalil foi afastado do cargo de prefeito, supostamente devido à crescente popularidade que conquistou após a defesa da cidade.
Saúde debilitada na prisão
Atualmente, Khalil estaria detido na ala militar da Prisão Central de Homs. A In Defense of Christians (IDC) e a CSI afirmam que sua saúde piorou durante o período de encarceramento e que existem relatos recebidos pela família que levantam suspeitas de tortura.
Segundo as organizações, familiares também foram impedidos de entregar ao cristão uma Bíblia e um colar com uma cruz. Nas poucas visitas autorizadas, parentes mulheres teriam sido obrigadas a usar hijab e abaya.
Khalil também estaria recebendo seus medicamentos de forma irregular e, em alguns casos, remédios vencidos. Conforme as denúncias divulgadas, ele ainda teria sido obrigado a jejuar durante o Ramadã, mês sagrado islâmico.
As organizações afirmam que a prisão viola o artigo 18 da declaração constitucional síria, adotada em março de 2025, que determina que uma pessoa não pode ser presa ou ter sua liberdade restringida sem ordem judicial, exceto em casos de flagrante.
Pressão internacional
Em junho, uma coalizão de defensores da liberdade religiosa enviou uma carta aberta a Thomas Barrack, embaixador dos EUA na Turquia e enviado especial americano para Síria e Iraque, pedindo que Washington intervenha junto às autoridades sírias pela libertação imediata de Khalil.
Entre os signatários estão o ex-senador americano e ex-embaixador dos EUA para Liberdade Religiosa Internacional Sam Brownback, o presidente da CSI, John Eibner, e o diretor-executivo da In Defense of Christians, Richard Ghazal. Outras organizações de defesa de cristãos e da liberdade religiosa também aderiram ao apelo.
Na carta, os defensores argumentaram que a atuação de Khalil contra o ISIS deveria ser reconhecida pela Síria, especialmente porque o novo governo aderiu à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o grupo terrorista.
“Em vez disso, o governo da Síria parece estar punindo-o por isso”, afirmaram os signatários.
Para Richard Ghazal, o caso também representa um teste para as promessas feitas pelo novo governo sírio em relação às minorias religiosas.
Segundo ele, a situação de Khalil coloca em questão se as novas autoridades realmente pretendem proteger aqueles que defenderam suas comunidades contra grupos extremistas e se os cristãos podem confiar que têm futuro na Síria.
O caso do ex-prefeito também já foi apresentado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, enquanto organizações internacionais continuam pressionando por sua libertação.