Há 35 anos no ministério pastoral, Sandro Fontoura, líder da missão SMG (Sul, Missões e Graça), tem chamado a atenção da Igreja brasileira para os desafios da evangelização no Rio Grande do Sul.
Em um vídeo, ele afirmou que o estado é um dos menos evangelizados do país:
“O Rio Grande do Sul é o estado menos evangelizado hoje no Brasil, nós temos 497 municípios. Dos 497 municípios que nós temos, a igreja não tem 400 mil crentes no nosso estado”, disse o pastor.
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Sandro também demonstrou preocupação com o cenário religioso do estado e defendeu maior envolvimento das igrejas em evangelização.
Segundo o Censo, o estado possui proporcionalmente a maior presença de adeptos de Umbanda, Candomblé e outras religiões de matriz africana do Brasil: 3,2% da população com 10 anos ou mais.
O pastor também citou a construção de uma “igreja” dedicada a Lúcifer em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo informou, em poucos meses o local conta com mais de 300 membros.
Ele também mencionou uma proposta apresentada na Câmara Municipal para reconhecer Porto Alegre como “Cidade da Umbanda”.
O projeto começou a tramitar em 2026 e também prevê o reconhecimento da Umbanda como patrimônio histórico, cultural e imaterial do município.
“Nós temos o maior público de ateus praticantes da América Latina, que era Montevidéu no Uruguai e hoje é o nosso estado. Pessoas que pregam a inexistência de Deus e combatem aqueles que defendem a sua fé cristã”, relatou.
Dentre as tragédias, o pastor citou ainda o desaparecimento de crianças.
“Vocês vão pasmar com o número de crianças desaparecidas no nosso estado”, disse, incentivando as pessoas a pesquisarem os dados na internet.
Um estado marcado pela tragédia
Após falar sobre o cenário espiritual do Rio Grande do Sul, que considera desafiador para a evangelização, Sandro relembrou tragédias que marcaram o estado.
“Na contrapartida [da realidade espiritual], as maiores tragédias naturais do Brasil, parece que tudo parte do nosso estado”, disse.
Ele mencionou as enchentes históricas que atingiram o estado em 2024.
Segundo dados da Defesa Civil, 478 dos 497 municípios gaúchos foram afetados e cerca de 2,4 milhões de pessoas sofreram os impactos da tragédia. Centenas de milhares precisaram deixar suas casas.
O pastor também recordou outros eventos trágicos que marcaram a história gaúcha, como o incêndio da Boate Kiss, ocorrido em Santa Maria, em 2013, que deixou 242 mortos, e o voo TAM 3054, que partiu de Porto Alegre e sofreu um acidente ao pousar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 2007, deixando 199 mortos.
Ao citar esses acontecimentos, Sandro apresentou sua interpretação espiritual sobre o momento vivido pelo estado e ressaltou a necessidade de mobilização da Igreja.
Para ele, porém, a resposta não deve permanecer apenas nos púlpitos.
Resgate e restauração
Atuando diretamente entre pessoas em situação de rua, ele defende uma presença cristã mais intensa fora dos templos e afirma que os cristãos precisam voltar a ocupar as ruas com o Evangelho.
“Eu abri uma igreja debaixo de um viaduto da Conceição, na capital, em Porto Alegre, atendendo moradores de rua. Realizei esse ano que passou o primeiro congresso de missões do Brasil para moradores de rua. E em onze meses de trabalho, nós tiramos 284 pessoas das ruas e mais de 440 pessoas nós devolvemos às suas famílias, ao convívio social, ao ambiente da liberdade e da libertação”, contou, defendendo que a igreja precisa ocupar as ruas.
“O diabo tomou as ruas, a igreja acomodou e simplesmente ficamos olhando de longe as coisas acontecerem”, declarou Sandro, dizendo que declarou “que quem manda agora nas ruas do estado do Rio Grande do Sul não é mais Satanás. Agora as ruas ganharam pastores.”
Em entrevista anterior ao Guiame, Sandro afirmou que o movimento nas ruas se transformou em uma espécie de “avivamento debaixo da ponte”, com conversões, reconciliações familiares e pessoas deixando as ruas.
Campo missionário
O avanço da população em situação de rua é um dos desafios enfrentados pela capital gaúcha. Dados oficiais apontaram aumento de 14,88% após as enchentes de 2024: o número de pessoas cadastradas nessa condição passou de 4.549, em abril de 2024, para 5.226 em fevereiro de 2025.
Já um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, com dados do Cadastro Único referentes a dezembro de 2025, identificou 16.359 pessoas nessa condição no Rio Grande do Sul.
Para Sandro, esses números representam também um campo missionário que precisa receber maior atenção das igrejas.
A experiência no Viaduto da Conceição se tornou um exemplo da estratégia defendida pelo pastor: ir até onde estão as pessoas que dificilmente entrariam espontaneamente em uma igreja.
“Agora as ruas ganharam pastores e nós vamos tomar o território que o diabo levou de nós”, afirmou.