Após demitir enfermeira cristã, hospital abrirá clínica de destransição para menores

Acordo de Vanessa Sivadge com o Texas Children’s Hospital prevê a primeira clínica gratuita dos EUA para pessoas que desistiram da transição de gênero.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Terça-feira, 11 Agosto de 2026 as 2:25

A enfermeira cristã Vanessa Sivadge. (Foto: GiveSendGo/Vanessa Sivadge)
A enfermeira cristã Vanessa Sivadge. (Foto: GiveSendGo/Vanessa Sivadge)

A enfermeira cristã Vanessa Sivadge, demitida do Texas Children’s Hospital (TCH), nos EUA, após denunciar supostas fraudes no Medicaid relacionadas a procedimentos de transição de gênero em menores, chegou a um acordo que prevê a criação da primeira clínica gratuita do país destinada a pessoas que desistiram da transição de gênero.

Segundo o Christian Post, o acordo determina que o hospital inaugure a clínica até o final de outubro.

O TCH também deverá pagar US$ 10 milhões em multas para resolver alegações de fraude no Medicaid e demitir cinco médicos que realizaram procedimentos em desacordo com a legislação do Texas, de acordo com o Burke Law Group, que representou Vanessa.

Mudanças no hospital

O acordo também estabelece reformas institucionais no Texas Children’s Hospital, incluindo treinamento de profissionais de saúde sobre os riscos dos procedimentos de transição.

O hospital ainda deverá alterar seus regulamentos para determinar que médicos que realizarem esses procedimentos em menores percam seus privilégios clínicos, além de se comprometer a proibi-los em suas instalações.

O acordo é resultado de uma investigação que durou anos e contou com a participação do Gabinete do Procurador-Geral do Texas e do Departamento de Justiça dos EUA.

O caso envolve alegações de violações da Lei Federal de Falsas Alegações (False Claims Act), da Lei de Prevenção de Fraudes no Medicaid do Texas, da Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos, além de leis federais relacionadas a fraude e conspiração.

Em comunicado, o Texas Children’s Hospital confirmou a conclusão do acordo.

“Na semana passada, finalizamos um acordo com o procurador-geral do Texas e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, encerrando este capítulo para concentrarmos nossos recursos em cuidados e descobertas que salvam vidas”, declarou o hospital.

“Somos gratos e orgulhosos de nossos renomados médicos e enfermeiros, cuja excelência clínica nos torna o principal sistema de saúde pediátrica e feminina do país. Nosso foco continua sendo criar um futuro mais saudável para crianças e mulheres em todo o Texas e no mundo”, acrescentou.

Denúncias e demissão

Vanessa ganhou repercussão nacional em 2024. Segundo ela, o FBI a ameaçou e o hospital a demitiu depois que ela revelou anonimamente ao jornalista Christopher Rufo, em 2023, que o hospital estaria utilizando recursos federais para custear hormônios do sexo oposto e bloqueadores de puberdade para menores, em violação à legislação estadual.

No ano seguinte, a enfermeira foi demitida após solicitar uma acomodação religiosa que permitiria sua transferência para fora da clínica de endocrinologia.

Ela afirmou que estava sendo obrigada a ter “participação indireta no cuidado de crianças que utilizavam hormônios do sexo oposto”.

Na época, Vanessa afirmou que sua demissão ocorreu em retaliação por ter exposto “informações sobre o padrão flagrante de engano e fraude no Medicaid do TCH”.

Segundo ela, o hospital também “ignorou ilegalmente meu pedido de transferência devido à minha crença de que esses procedimentos causam danos irreversíveis e arrependimento por toda a vida a crianças confusas sobre seu sexo”.

“Para Deus seja a glória”

Após a conclusão do acordo, Vanessa publicou uma declaração nas redes sociais relembrando o momento em que deixou o hospital após sua demissão.

“Se eu pudesse voltar no tempo e falar com a garota aterrorizada e insegura que saiu do Texas Children’s Hospital com uma caixa contendo seus pertences, eu diria isto: seu caso como denunciante um dia resultará na primeira clínica dos Estados Unidos para pessoas que desistiram da transição. Essa frase ainda não parece real. Mas agora – dois anos depois – finalmente posso compartilhar TUDO sobre o que não pude falar até agora. Acabou. Eu venci. Para Deus seja a glória”, declarou.

Em outra manifestação, a enfermeira agradeceu às pessoas que a ajudaram durante o processo e afirmou que os resultados fizeram o sacrifício valer a pena.

“Foi uma jornada difícil e as cicatrizes desse caminho não desaparecerão tão cedo. Perdi o emprego que amava e a carreira que trabalhei tanto para construir. Mas agora? A primeira clínica dos Estados Unidos para pessoas que desistiram da transição. Cinco médicos demitidos. US$ 10 milhões devolvidos ao governo. Inúmeras reformas internas e exigências éticas. É extraordinário. É sem precedentes. Valeu a pena.”

Motivação cristã

Em entrevista ao Christian Post em 2024, pouco depois de ser demitida, Vanessa afirmou que enxergava sua situação como parte de uma batalha espiritual e que sua fé cristã havia motivado sua decisão de denunciar o que considerava errado.

“Efésios 5 diz para não termos nada a ver com as obras inúteis do mal e das trevas, mas, em vez disso, expô-las, e que tudo o que é exposto pela luz se torna visível”, afirmou.

“Então, essa foi realmente a base e a motivação para eu fazer o que fiz, para me manifestar da maneira como fiz. Porque temos, acredito, a responsabilidade, como cristãos, de trazer à luz aquilo que tem sido feito nas trevas”, completou.

Caso de outro denunciante

Vanessa também citou o caso de seu colega e também denunciante, o médico Eithan Haim, que, segundo ela, foi igualmente alvo de autoridades federais durante o governo Biden.

Haim havia vazado registros médicos com informações confidenciais ocultadas que, segundo a reportagem, sugeriam que o Texas Children’s Hospital continuava prescrevendo bloqueadores de puberdade para crianças, apesar de afirmar o contrário.

O médico chegou a responder a quatro acusações criminais e poderia enfrentar uma pena de até 10 anos de prisão. No entanto, o caso foi arquivado pouco depois da posse do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025.

Ao comentar o desfecho, Vanessa afirmou em sua declaração que acredita que, se Kamala Harris tivesse vencido a eleição presidencial, tanto ela quanto Haim estariam presos.

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