Ebola mata pastores na RD Congo, mas igrejas permanecem firmes na linha de frente

Líderes cristãos pedem oração por igrejas que atuam na linha de frente da crise sanitária, em um país marcado pela violência e perseguição religiosa.

fonte: Guiame, com informações do The Voice of the Martyrs e iCommitToPray

Atualizado: Quarta-feira, 5 Agosto de 2026 as 2:22

Avanço de novo surto de ebola intensifica a pressão sobre as comunidades cristãs. (Foto representativa: hofi hannan / Unsplash)
Avanço de novo surto de ebola intensifica a pressão sobre as comunidades cristãs. (Foto representativa: hofi hannan / Unsplash)

As igrejas da República Democrática do Congo enfrentam mais um golpe em meio às múltiplas crises que assolam o país. Entre os casos recentes está o do médico missionário Peter Stafford, infectado pelo ebola enquanto atendia pacientes em um hospital.

O avanço de um novo surto de ebola intensifica a pressão sobre as comunidades cristãs, que continuam oferecendo apoio espiritual e ajuda humanitária à população, apesar do alto risco de contaminação e da instabilidade causada pelos conflitos armados.

Segundo um colaborador local ouvido pela organização iCommitToPray, as igrejas têm se tornado pontos essenciais de apoio às comunidades afetadas.

“Ore por aqueles que ministram nas igrejas locais enquanto servem como respondentes na linha de frente”, pediu o líder.

Vários pastores locais morreram em decorrência da doença, o que tem dificultado o cuidado de órfãos e de outras pessoas vulneráveis atendidas por algumas igrejas.

O missionário acrescentou que um ministério da região mobilizou e treinou mais de 150 congregações para oferecer atendimento adequado em casos de ebola.

Ele alertou que muitos moradores demoram a buscar atendimento médico ou mantêm rituais tradicionais de sepultamento, práticas que acabam facilitando a disseminação do vírus.

Além do trabalho pastoral, muitas congregações oferecem acolhimento, orientação e apoio às famílias afetadas pela doença, suprindo lacunas deixadas pelo sistema de saúde em diversas regiões do país.

Igreja cresce apesar das dificuldades

A República Democrática do Congo é um dos países com maior população cristã da África. Estima-se que cerca de 95% dos habitantes professem o cristianismo, com forte presença de igrejas católicas, protestantes, pentecostais e comunidades evangélicas independentes.

Segundo a Portas Abertas, em muitas localidades, as igrejas desempenham papel fundamental na educação, na assistência social e no atendimento médico, especialmente em áreas onde o Estado possui pouca presença.

Igreja em Bunia, no oeste da RD Congo. (Foto: VOM)

Apesar dessa expressiva presença cristã, a realidade é bastante diferente nas províncias orientais, como Ituri e Kivu do Norte.

Nessas regiões, grupos extremistas, especialmente as Forças Democráticas Aliadas (ADF), ligadas ao Estado Islâmico, promovem ataques contra vilarejos, igrejas e líderes cristãos, provocando mortes, sequestros e deslocamentos forçados de milhares de pessoas.

Perseguição religiosa

A RD Congo ocupa a 29ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas. Embora o país seja majoritariamente cristão, a perseguição se concentra no leste congolês, onde milícias islâmicas e grupos armados transformaram comunidades cristãs em alvos frequentes de violência.

Nos últimos meses, líderes locais relataram uma escalada dos ataques durante a Semana Santa, com dezenas de cristãos mortos, centenas de pessoas sequestradas e mais de 30 mil deslocados.

Igrejas passaram a funcionar também como abrigos para famílias que fugiram da violência, enquanto pastores pedem oração para que os fiéis permaneçam firmes na fé em meio ao sofrimento.

Crises simultâneas

Além da violência extremista, a RDC enfrenta uma das maiores crises humanitárias do continente africano. Conflitos armados, deslocamentos internos, insegurança alimentar e surtos recorrentes de doenças infecciosas desafiam continuamente as comunidades locais.

Nesse cenário, o novo surto de ebola amplia a pressão sobre as igrejas, que já atuam no acolhimento de deslocados e no cuidado de vítimas da violência.

Organizações cristãs internacionais têm convocado a Igreja global a interceder pela proteção dos voluntários, profissionais de saúde e líderes locais que permanecem servindo em áreas de alto risco, levando assistência prática e esperança por meio do Evangelho.

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