Emissoras de TV cristãs foram incluídas na lista de organizações e indivíduos de mídia hostis pelo regime islâmico do Irã.
Segundo o Article 18, a lista do Ministério de Inteligência foi divulgada recentemente e inclui as redes evangélicas Sat-7, Nejat, Seven e Mohabat TV.
O documento inclui ainda jornais tradicionais de língua persa como BBC Persian e Iran International, assim como sites, canais do YouTube, e contas no Instagram, Facebook, X e Telegram.
Jornalistas, ativistas e figuras da oposição também foram colocados na lista, como Hananya Naftali, Reza Pahlavi, Masih Alinejad e Shirin Ebadi.
O Ministério de Inteligência do Irã informou que quem cooperar com algum dos mais de 300 indivíduos e organizações citados na lista, incluindo o envio de fotos ou vídeos, enfrentará processo judicial, sob a lei de espionagem implementada após a guerra de 12 dias com Israel em 2025.
Pelo menos cinco cristãos já foram condenados sob a nova lei, recebendo sentenças que somadas chegam a mais de 40 anos de prisão.
Eles foram acusados pelo Ministério da Inteligência de serem "mercenários do Mossad" que haviam sido "treinados no exterior" por igrejas nos Estados Unidos e em Israel, e que agiam "sob o disfarce do movimento sionista cristão de evangelização".
"Na literatura oficial da República Islâmica, 'hostil' se refere a um indivíduo ou instituição que, do ponto de vista do governo, é hostil ou combatente ao sistema da República Islâmica", explicou Fred Petrossian, do Article 18.
"O escopo desse conceito nas leis e procedimentos judiciais da República Islâmica é muito vago e amplo e pode incluir desde críticas e atividades midiáticas até o que é considerado 'propaganda contra o sistema'. Na prática, não tem limites”, acrescentou.
Transmitindo o Evangelho
Nos últimos 40 anos, o regime islâmico fechou igrejas e proibiu atividades missionárias no Irã.
Nesse contexto, emissoras cristãs passaram a transmitir estudos bíblicos, pregações e programas evangelísticos.
“Redes [de mídia] cristãs em língua persa baseadas fora do Irã preencheram parte do vazio causado pelas restrições às atividades de igrejas e instituições cristãs dentro do país”, comentou Fred.
A TV SAT-7, por exemplo, transmite programas cristãos, incluindo a série “The Chosen”, via satélite para o Irã, ultrapassando a censura do regime islâmico.
Perseguição no Irã
O Irã é um país predominante muçulmano e o governo islâmico persegue os cristãos, proibindo igrejas, Bíblias e evangelismo.
Líderes e cristãos descobertos podem enfrentar prisão e tortura, principalmente se deixaram o Islã para seguir a Cristo, já que renunciar ao islamismo é proibido pela Sharia (lei islâmica).
Apesar da forte perseguição, a igreja secreta continua crescendo no país, segundo um relatório do Article 18.
O Irã ocupa a 10ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.