Imigração na Espanha: Muçulmanos são mais de 2,5 milhões no país, com 1.700 mesquitas

O aumento da comunidade muçulmana no país devido a imigração levantou preocupações com o islamismo radical.

fonte: Guiame, com informações de CNN Brasil e Libertad Digital

Atualizado: Sexta-feira, 31 Julho de 2026 as 2:22

Imigrantes tentando entrar em Celta na quinta-feira (30). (Foto: Reprodução/ YouTube/CNN Brasil).
Imigrantes tentando entrar em Celta na quinta-feira (30). (Foto: Reprodução/ YouTube/CNN Brasil).

Milhares de imigrantes entraram ilegalmente para o enclave espanhol de Ceuta vindos do Marrocos por mar e terra, na quinta-feira (30). Cerca de 34 pessoas morreram durante a tentativa de entrar no território.

Nesta terça-feira (31), o Ministério do Interior da Espanha informou que estima que cerca de 49 mil imigrantes cruzaram para a cidade autônoma da Espanha, localizada no norte da África, nas últimas 24 horas.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram centenas de pessoas chegando a nado pelo mar e outra rompendo um portão em terra firme e correndo para dentro da cidade.

O governo espanhol enviou reforços e segurança para Ceuta após o aumento das tentativas de entrada.

Ceuta, assim como Melilla, outra cidade autônoma espanhola no norte do Marrocos, costumam registrar ondas de tentativas de travessia por imigrantes que querem entrar na Europa.

Mudança religiosa

Segundo o jornal Libertad Digital, a Espanha vive uma rápida mudança cultural e religiosa causada por imigrantes muçulmanos.

A população islâmica vivendo no país continua crescendo e ultrapassou 2,5 milhões em 2025, segundo o relatório “Demografia do Islã na Espanha", do Observatório Demográfico da CEU CEFAS. O número representa 5% da população espanhola.

Conforme o estudo, aproximadamente 1,79 milhão da população muçulmana são imigrantes de primeira geração e cerca de 680.000 pessoas já nasceram na Espanha com pelo menos um dos pais muçulmanos.

A maioria dos imigrantes islâmicos vieram do Marrocos, Paquistão, Senegal, Argélia, Mali, Grécia e Bangladesh. 

Grande parte da população muçulmana vive nas regiões de Catalunha, Andaluzia e Comunidade Valenciana.

Em Ceuta, cerca de 40% a 50% dos 84 mil moradores são muçulmanos de origem marroquina, segundo o UOL. Entre o restante, a maioria é formada por cristãos espanhóis. Também há minorias de judeus e hindus na área de 18,5 km².

O relatório ainda estima que 11% dos bebês nascidos na Espanha em 2024 tiveram pelo menos um dos pais muçulmanos, mostrando a presença do Islã entre as novas gerações.

O estudo destacou que mulheres muçulmanas na Espanha têm mais filhos do que as espanholas e outras imigrantes não muçulmanas.

Conforme dados da União das Comunidades Islâmicas da Espanha (UCIDE), divulgados em 2025, existem 1.766 mesquitas no país.

Já existem cidades espanholas com mais mesquitas do que igrejas, como o município de Salt. 

O estudo da UCIDE ainda revelou que o número de contratações de professores de religião islâmica aumentou, assim como a quantidade de alunos de religião islâmica.

O Libertad Digital relatou que comunidades islâmicas no país passaram a exigir o cardápio halal e o hijab para esses estudantes muçulmanos na Espanha.

Islamismo radical

O aumento da comunidade muçulmana no país levantou preocupações com o islamismo radical. Em 2024, 81 pessoas foram presos por extremismo islâmico, um número histórico desde 2004.

Em entrevista anterior à Gazeta do Povo, Pierre Vermeren, professor de História Contemporânea na Universidade Sorbonne e especialista no mundo árabe-islâmico, afirmou que os radicais islâmicos tem o objetivo de conquistar a Europa.

“A Irmandade Muçulmana e os fundamentalistas islâmicos sonham em conquistar a Europa: não com armas, porque isso sempre fracassou, mas por meio do assentamento de populações grandes e férteis”, comentou.

“Eles tentam envolver os muçulmanos da Europa nessa aventura. Muitos não se importam, porque não saíram de seu país para isso, mas muitos outros veem nisso uma ambição ao seu alcance. Os atentados são vistos, dessa forma, como contraproducentes, por isso preferem o trabalho invisível em escolas, bairros, famílias e mesquitas para estabelecer áreas a partir das quais o Islã se desenvolverá na Europa”.

E destacou: “Naturalmente, a conversão de cristãos é um objetivo muito procurado”.

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