Pregação de pastor dentro de igreja é questionada por vereadores na Câmara de Petrolina

Uma pregação do pastor Edilson de Lira Pregação sobre um projeto evangelístico na Ilha do Massangano foi debatida na Câmara após ele ser acusado de “atacar a dignidade do povo” por uma fala distorcida.

fonte: Guiame, ALINE GONÇALVES

Atualizado: Segunda-feira, 2 Março de 2026 as 11:22

O pastor Edilson de Lira Vasconcelos. (Foto: Reprodução/YouTube/Edilson de Lira)
O pastor Edilson de Lira Vasconcelos. (Foto: Reprodução/YouTube/Edilson de Lira)

Uma fala do pastor Edilson de Lira Vasconcelos Filho, da igreja Verbo da Vida, em Petrolina, Pernambuco, foi alvo de debate na Câmara Municipal após um vereador afirmar que o líder “atacou a dignidade de um povo” durante um culto em que fazia referência à Bíblia.

Na ocasião, o pastor, que também é médico e presidente da ONG Movimento, que atua transformando a realidade de pessoas em situação de vulnerabilidade no Vale do São Francisco, falou sobre um novo projeto evangelístico da igreja na Ilha do Massangano.

Chamando os líderes responsáveis por assumirem o projeto na ilha, Edilson falou: “Sabe, o Senhor falou conosco em oração e ontem nós conversamos e a Igreja Verbo da Vida ela também está indo para a Ilha do Massangano”. 

E continuou: “Eu percebi isso muito forte no Espírito. Foi interessante porque eu estava orando pela manhã e, no outro dia, conversei com eles e disse: ‘Marcelo, eu tenho um convite. Naturalmente, não parece atrativo, mas eu queria que vocês pastoreassem a igreja que está sendo plantada naquele lugar’”.

Nesse momento, o pastor citou o texto bíblico em ‭‭Romanos‬ ‭5‬:‭20‬, que diz: “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça”.

“A Ilha do Massangano é a nossa Ilha do Marajó, se é que você me entende. É um lugar onde hoje abunda o pecado, mas vai superabundar a graça”, afirmou Edilson

Discussão na Câmara Municipal

As declarações do pastor foram alvo de críticas do professor e vereador Gilmar Santos. Segundo ele, a fala de Edilson foi um “ataque à dignidade de um povo” e chegou a ser discutida na Câmara Municipal.

A vereadora Maria Helena (UNIÃO) também criticou a fala do pastor e questionou o trabalho social desenvolvido pela igreja na região.

“Se os senhores quiserem aparecer, não é fazendo social para se tornarem visíveis. Mas necessariamente se interessa a necessidade de aparecer no cenário de Petrolina da região, como sendo os todo-poderosos, como aqueles e aquelas que vão resolver problemas da comunidade”, afirmou ela.

Ao destacar que os problemas sociais da Ilha do Massangano não dependem exclusivamente da igreja do pastor, a parlamentar afirmou: 

“Não vai ser o senhor com essas ações sociais que o senhor leva para lá que vai resolver todos os problemas, não”. 

Em seguida, Maria Helena ressaltou que a Câmara é composta majoritariamente por membros da Igreja Católica e concluiu:

“Somos maioria da Igreja Católica, vamos ter cuidado, porque, senão, evangélicos aqui vão querer dar o tom de como esse poder tem que trabalhar”.

‘Injustiça’

No dia 26 de fevereiro, Edilson compartilhou um vídeo em suas redes sociais após a Câmara Municipal aprovar, por 14 votos a 1, com duas abstenções, uma moção de solidariedade em seu favor.

“Hoje a Câmara Municipal de Petrolina corrigiu uma injustiça. Aprovou por 14 votos a 1, com duas abstenções, uma moção de solidariedade a mim, pelas falsas acusações de um requerimento anterior, que distorcia a minha fala em um culto”, afirmou o pastor. 

“A Casa Legislativa fica novamente a favor da verdade e da coerência com essa votação. Minha gratidão a cada um dos 14 votos favoráveis. Obrigado pela coragem e pelo compromisso com a verdade e a liberdade religiosa”, acrescentou.

O pastor também negou qualquer intenção de protagonismo e afirmou que teve sua pregação levada ao debate político enquanto exercia seu ministério dentro da igreja.

“A Câmara colocou meu nome em pauta, aprovando uma moção infame que dizia que eu ofendi a comunidade da Ilha do Massangano, o que nunca aconteceu. Eu amo, respeito e quero ajudar a melhorar aquela comunidade querida”, disse ele.

Ao citar a passagem bíblica de Atos 16:37, o pastor comparou a situação ao episódio em que Paulo e Silas, após serem injustamente acusados e presos, exigiram reparação pública.

“Por que Paulo fez isso? Não foi por ego ou por vaidade. Ele defendeu seus direitos legítimos, para que não ficasse precedente de abuso contra outros cidadãos cristãos, e para que a verdade fosse estabelecida de forma pública, e não nos bastidores”, explicou o pastor.

E continuou: “Da mesma forma, quando eu sou citado publicamente, de forma injusta e distorcida, eu esclareço publicamente. Não é pra aparecer, não é pra revidar, mas é pra deixar um marco de que a verdade não se esconde, de que a honra não se cala diante de inverdades, e de que a liberdade religiosa não pode ser atacada sem resposta”. 

‘Não irão nos silenciar’

Edilson aproveitou a oportunidade e defendeu o direito dos evangélicos de se posicionarem na sociedade:

“Já acabou, faz muito tempo, o período na história do Brasil em que os evangélicos eram vistos como pessoas sem voz, sem cultura ou sem lugar na sociedade e na política. Nós respeitamos opiniões diversas, religiões diversas, mas nós somos cidadãos de pleno direito. Nós merecemos respeito, nós merecemos ser ouvidos e nós merecemos defender a liberdade de culto, sem medo de distorções, de calúnias ou de ataques pessoais”. 

Por fim, o pastor convocou as autoridades e lideranças locais a se unirem em favor da transformação social da Ilha do Massangano.

“Petrolina merece isso, unidade em prol do bem comum, ações concretas e não divisão. Eu quero agradecer a Deus, eu quero agradecer a cada um que orou, que se posicionou publicamente pela verdade”, declarou ele.

“A gente continua firme no chamado, pregando a Palavra, servindo ao próximo e construindo uma cidade melhor. E que fique um recado muito claro para qualquer político de Petrolina que queira fiscalizar as pregações de pastores dentro de suas igrejas: ‘Nós não nos intimidamos! Vamos pregar a Bíblia em sua totalidade e em todos os lugares’. Que Deus abençoe a todos”, concluiu o pastor.

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