Um ex-muçulmano que se tornou pastor após estudar a Bíblia no Chade relembrou sua conversão e pediu orações para os cristãos perseguidos em sua nação.
Ibrahim Hassan cresceu em um lar islâmico e desde criança estudava o Alcorão: “Eu tinha em mente que me tornaria um grande líder islâmico", disse ele ao Global Christian Relief.
No entanto, depois que seu pai se casou com uma segunda mulher e se divorciou de sua mãe, Ibrahim decidiu continuar seus estudos em outra aldeia. Precisando de moradia, ele foi conduzido a uma organização missionária que oferecia alojamento para estudantes que não tinham onde ficar.
"A regra era que todas as manhãs você tinha que ir à igreja por 20 minutos para ouvir o Evangelho antes de ir para a escola", explicou ele.
Inicialmente, ele passou a frequentar o culto apenas porque precisava do abrigo:
"No início, eu não queria, mas como muitos meninos iam, eu fui também. Eu queria estudar e precisava fazer isso para garantir uma vaga".
‘Decidi seguir Jesus’
À medida que ouvia o Evangelho, Ibrahim passou a questionar o Islã e começou a ser atraído pela Palavra de Deus.
"Certa manhã, o Espírito Santo abriu minha mente. Descobri que para ir para o Céu não é por meio de boas obras, mas pela fé", afirmou ele.
E continuou: "No Islã, você reza, jejua, faz tudo, mas depende de Alá se ele o enviará para o paraíso ou para o inferno. É ele que decide o que fazer com você”.
"Mas na Bíblia estava escrito que Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Vi que o problema estava resolvido", acrescentou.
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Ibrahim aceitou Jesus aos 14 anos e, apesar da perseguição, mantém sua fé firme. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
Aos 14 anos, durante um estudo bíblico sobre o chamado de Deus a Samuel, Ibrahim se rendeu ao Senhor.
"Eu disse: 'Deus, se o Senhor me ama, me chame como chamou Samuel, e eu o servirei’. Não sei o que aconteceu comigo, mas meu coração parecia estar em chamas", testemunhou ele.
E continuou: "Levantei e disse à congregação que havia recebido Jesus Cristo como meu Salvador e que decidi servi-Lo por toda a minha vida".
A igreja perseguida no Chade
Depois que se tornou um seguidor de Cristo, seu maior desafio era compartilhar o Evangelho com outras pessoas.
“Eu não conseguia fazer isso, sofria perseguição regularmente. Em nosso país, em nossa cidade, quando eu passava, as pessoas me chamavam de 'cristão perverso’ e cuspiam em mim”, relembrou ele.
No entanto, Ibrahim respondeu com amor, conquistando a amizade de muitos. Hoje, com 65 anos e pai de nove filhos, ele lidera um dos ministérios mais perigosos do mundo muçulmano: o de pastorear cristãos que abandonaram o Islã para seguir a Cristo.
O Chade representa um dos ambientes mais desafiadores do mundo para muçulmanos de origem cristã. Contudo, um número sem precedentes de pessoas está encontrando Jesus, apesar dos riscos.
"Muitas vezes acontece por meio de sonhos. Temos muitos cristãos que vieram do islamismo e dizem: 'Eu tive um sonho'", contou Ibrahim.
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Ibrahim lidera ex-muçulmanos e os ajuda a crescer no entendimento das Escrituras. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
Ele citou a história de um professor islamico que tinha sonhos recorrentes com Jesus e acabou viajando 25 quilômetros para encontrar uma igreja e se rendeu ao Senhor.
"Muitas outras vezes, é através do testemunho de cristãos. Alguns muçulmanos veem os cristãos – essas pessoas a quem dissemos que eram más – mas observam como eles vivem e o que fazem. É bom. Eles pensam: 'Certamente há verdade nisso'. Eles descobrem que não se pode ir para o Céu sem Jesus Cristo", destacou Ibrahim.
Para pastores como Ibrahim, o ministério vai além da liderança da igreja. Eles servem cristãos que enfrentam rejeição familiar, perseguição da comunidade e ameaças constantes à sua segurança. Esses crentes secretos muitas vezes perdem tudo — cônjuges, filhos, herança e posição social — quando escolhem seguir a Cristo.
“Ele quer, antes de tudo, ser acolhido, ter sua vida segura e receber os ensinamentos do Senhor — a Palavra — para que possa crescer espiritualmente e alcançar a maturidade em Cristo", explicou o pastor.
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Ibrahim pediu orações pelos cristãos perseguidos no Chade. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
De acordo com Ibrahim, a chave está no discipulado, que permite aos novos convertidos fortalecerem sua fé antes de enfrentarem os desafios de frequentarem à igreja publicamente.
"Orem para que tenhamos uma fé forte e para que o Espírito Santo realize milagres, porque os muçulmanos precisam ver milagres. Quando veem milagres, sabem que isso é bom", afirmou o pastor.
"Orem para que Deus dê à igreja os meios para construir centros onde possamos acolher crentes de origem islâmica e oferecer-lhes formação bíblica. Precisamos capacitá-los e garantir seu sustento", concluiu.