Policiais invadem culto doméstico, confiscam Bíblias e prendem ex-muçulmana no Irã

Testemunhas relataram que as autoridades arrancaram cruzes dos pescoços dos presentes e os forçaram a revelar as senhas de celulares.

fonte: Guiame, com informações do Mohabat News

Atualizado: Quinta-feira, 27 Fevereiro de 2025 as 12:46

A cristã convertida Somayeh Rajabi, presa pelas autoridades iranianas. (Foto: ICC)
A cristã convertida Somayeh Rajabi, presa pelas autoridades iranianas. (Foto: ICC)

As autoridades iranianas interromperam violentamente um culto doméstico no norte do Irã e prenderam Somayeh Rajabi, uma cristã convertida do islamismo.

Segundo o Mohabat News, as forças de segurança do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) invadiram a reunião em Gatab, onde estavam cerca de 80 cristãos.

Durante a operação, os policiais confiscaram Bíblias, celulares e instrumentos musicais.

Testemunhas relataram que as autoridades arrancaram cruzes dos pescoços dos presentes e os forçaram a revelar as senhas de seus dispositivos eletrônicos.

A organização de direitos humanos Artigo 18 informou que as autoridades também impediram profissionais da área médica de prestar assistência aos cristãos feridos.

No dia seguinte, Rajabi foi autorizada a informar brevemente sua família por telefone sobre seu cativeiro na cidade de Sari. Até o momento, as autoridades iranianas não anunciaram nenhuma acusação oficial contra a cristã.

Severa perseguição aos cristãos

A perseguição aos cristãos no Irã é intensa e sistemática, com o país apresentando um longo histórico de opressão às minorias cristãs.

A República Islâmica adota uma legislação que deve estar completamente alinhada com o islamismo e a Sharia, tornando crime a propagação de qualquer religião que não seja o islamismo.

A pena de morte, inclusive, é prevista para aqueles que insultarem o Profeta Maomé.

De acordo com um relatório de 2023 do Departamento de Estado dos EUA, a legislação iraniana proíbe cidadãos muçulmanos de mudar ou renunciar à sua fé.

Isso coloca os convertidos ao Cristianismo no país em risco constante, já que a conversão é vista como um ato criminoso sob as leis do regime.

'Crimes fabricados'

A organização International Christian Concern (ICC) destaca em seu Índice Global de Perseguição que o Ministério da Justiça iraniano frequentemente acusa cristãos de crimes de segurança fabricados.

De acordo com o Tribunal Penal Internacional (TPI), "há pouco ou nenhum devido processo legal, e os prisioneiros são frequentemente expostos ao tratamento mais terrível."

Um funcionário do TPI confirmou que a situação dos cristãos no Irã está se tornando cada vez mais perigosa:

“Enquanto o Cristianismo continua a crescer no Irã, o regime teocrático não dá sinais de reconciliação. A campanha violenta contra cristãos e outras minorias religiosas permanece firme e implacável.”

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